Há 20 anos, o cantor, Roberto de Souza Rocha, se consagrava no mundo da música com o hit de sucesso ‘Festa no Apê’. A canção em questão foi o carro chefe que proporcionou para o músico grande de voos e realizações pessoais, mas também lhe rendeu muitas críticas pessoais.
“A gente era muito criticado por usar sample de outros músicos. As pessoas no Brasil não entendiam, mas eu tinha autorização”, entregou ele no decorrer de uma entrevista ao Terra.
Nos dias atuais, no auge de seus 51 anos, vinte anos de carreira e dez filhos, o músico não tem planos para se aposentar do mundo da música. Determinado e focado no projeto, inspirado no Tardezinha e no Numanice, o famoso quer fazer justiça ao nome que o consagrou e manter a atenção nos ritmos sul-americanos.
No decorrer de uma entrevista cedida ao Terra, o músico comentou sobre os aprendizados que a maturidade lhe proporcionou e os desafios que se deparou ao se tornar pai. Apesar dos desleixo na criação do seus filhos, o músico demonstra objetividade quanto ao que a paternidade significa.
“Quando as mulheres que engravidaram e tiveram filhos comigo chegaram a falar nesse tipo de assunto [], eu na mesma hora cortava e dizia: ‘Não, eu vou segurar a onda e não quero deixar que isso aconteça’. Não foram muitas, mas talvez umas três ou quatro. Então, eu preferi ter e, dentro das minhas possibilidades, dar atenção. Não vou ser escravo desse amor de pai e filho, porque eu também preciso trabalhar, senão não pago pensão”, diz.
Leia a entrevista completa a seguir!
Me fala um pouco sobre a o projeto?!
O projeto é uma label, é uma festa de música que eu tenho expandido pelo Brasil afora. Tem uma pegada da salsa, do merengue, do reggaeton, sabe? Essas tendências que, obviamente, têm um grande espaço no Brasil, só que poucos mostram isso de forma legal. Então, o que eu fiz? Eu misturei a música urbana brasileira com a pegada da música. É uma festa que tem muita percussão, tem muitos metais, tem um DJ fazendo umas firulas na bateria eletrônica… É algo que tem funcionado muito aqui no Brasil e em outros países, como Uruguai, Chile, México, Colômbia. Enfim, é até engraçado falar, eu faço uma ‘mistura musical’, mas com essências, entendeu? Eu canto de tudo: Lulu Santos, Jorge Ben Jor, Maluma… Vou misturando e criando coisas novas.
Falando em misturar. Você é um dos pioneiros no movimento de versões no Brasil. ‘Festa no Apê’ foi a música que te alavancou ao sucesso. Hoje em dia, a releitura é algo mais do que constante na indústria. Como enxerga isso?
A gente encabeçou o movimento. Eu fui muito criticado na época, lembra? A gente era muito criticado por usar sample de outros músicos. As pessoas no Brasil não entendiam, mas eu tinha autorização. Quando eu estourei a música no Brasil, até os caras da Romênia, que foi de onde eu descobri a música, falaram: “Caramba, tem um cara lá que fez a versão da nossa música e tá bombando”. A minha versão era uma versão autorizada.
Obras derrubadas por falta de autorização, inclusive, é algo comum hoje, né?
Por que eles têm obras derrubadas? Porque o trabalho de autorização é um trabalho árduo, ele não acontece da noite pro dia. Por exemplo, eu estou pedindo uma autorização de uma música agora. Dependendo, mesmo eu pagando, com esse trâmite de gravadora, pode levar anos. O que os caras fazem hoje? Como artistas independentes, assumem o risco de perder os ganhos e lançam de forma ilícita. Se bombar, a gravadora derruba, mas até aí, eles já ganharam notoriedade. Eles estão batendo de frente com as empresas. Como eles são pequenos, a gravadora tira do ar e pronto. Ninguém vai se preocupar com isso.