Ney Matogrosso reage ao ser questionado sobre medo da morte

Em meio a uma palestra na Rio2c, que é considerado hoje o maior evento de criatividade da América Latina, o veterano cantor Ney Matogrosso acabou surpreendendo em fazer uma reflexão sobre sua vida, sobre o futuro, e contar um pouco mais sobre sua experiência. Ele que está com 82 anos de idade, revelou que não tem medo da morte.

“Me perguntam sobre a morte, e eu olho com naturalidade. Procuro estar tranquilo, sem tremer de medo. A única certeza que a gente tem aqui é a morte. Não temos outra certeza na vida além dessa. Então, procuro estar tranquilo diante dessa ideia”, contou ele.

“Espero chegar lá na hora tranquilo. Não tenho medo, porque também não há o que temer”, disse ele, se referindo a sua mãe, dona Beita de Souza Pereira, estar com 103 anos: “Tenho até medo de chegar lá”, descontraiu ele entre risos.

Logo depois então Ney relembrou o momento em que ele saiu de sua casa, quando ainda tinha seus 17 anos. Ele ainda disse que teve grandes desafios, mas sem dúvidas o maior deles era enfrentar seu pai, que era militar. “A maior autoridade da minha vida eu encarei dentro de casa. Saí de casa aos 17 anos. Ele disse: ‘Você não vai sair de casa’, porque naquela época o homem saía de casa com 21 anos para casar. O homem não saía de casa com 17 anos para viver. E eu fui”, contou.

Em seguida então complementou: “Saí de casa para viver. Ele me disse: ‘Se você sair de casa, nunca vou te ajudar em nada.’ Eu disse: ‘Pai, não quero nada de você, quero viver minha vida'”. Ele ainda disse que realiza terapias semanais, que faz com que ele mantenha sua saúde mental sempre em dia e sadia.

“Cuidei de vários aspectos. Fiz terapia baseada em eliminar influências maternas e paternas. Você tem que matar seu pai, matar sua mãe, vê-los numa mesa com quatro velas. É tudo parte do processo. A meta é você não reproduzir seu pai e nem sua mãe, nem positivamente, nem negativamente, porque você pode se rebelar contra eles e ainda assim ser influenciado”, disse o veterano explicando.

“Você não pode nem para o bem nem para o mal reproduzir, você tem que achar quem você é. Quem foi a criança lá atrás, quem era essa criança. Eu vi a vida diferente do que eu fui. Era diferente. Eu era uma criança toda assim para fora e eu sempre fui todo para dentro. Então, cuido muito da saúde mental até hoje”, finalizou ele sua reflexão.

Ele então falou também sobre o futuro, e disse que atualmente não tem mais nenhuma meta, sendo bem sincero. “Vou indo até onde vou chegar, não sei. Não é uma preocupação para mim. Nunca me submeti a nada, faço o que eu quero”, disse o cantor.

Em meio a palestra, foi pauta também o atual cenário da música brasileira no país. Então o veterano disse que há dificuldade para falar sobre o assunto. “A gente não tem mais espaço para ouvir música como antes. Não temos mais o rádio a favor, não tem mais uma plataforma onde você possa conhecer o que está sendo feito. Se você não for atrás, não tem como saber. A gente fica limitado a um circuito muito pequeno”, revelou.



Recomendamos