Dona Déa conta os detalhes que só uma mãe de verdade consegue no dia a dia

Ser reconhecida como “a mãe do Brasil” é uma honra e um orgulho imenso, mas também traz uma grande responsabilidade. Desde a partida precoce de Paulo Gustavo, vítima da Covid-19 em 4 de maio de 2021 aos 42 anos, o Dia das Mães de Déa Lúcia Amaral, carinhosamente conhecida como Dona Déa, é marcado por uma profunda dor ao lembrar da perda de seu filho nessa data.

Apesar do luto, Dona Déa encontra consolo na companhia de sua família, onde o humor é um remédio para a tristeza. Ela ri e chora quase ao mesmo tempo, relembrando momentos divertidos vividos ao lado de Paulo Gustavo. Dona Déa também se alegra ao compartilhar seu dia a dia com seus netos, Romeu e Gael, de quatro anos, e se diverte com sua filha caçula, Juliana, com quem vive no Rio de Janeiro.

Déa Lúcia, ao caminhar pelas ruas ou pelos corredores do Domingão do Hulk, transmite a simpatia e o carisma de Dona Hermínia, personagem inspirada nela e criada por seu filho Paulo Gustavo. Ela distribui abraços, beijos e broncas bem-humoradas, recriando os diálogos afiados e cheios de graça que tinha com Paulo em casa e nos palcos de “Uma Mãe é Uma Peça”, um sucesso absoluto de bilheteria.

Assim como Madonna, Dona Déa se engaja em causas importantes, como os direitos LGBTQIA+, e fala abertamente sobre questões como etarismo e racismo. Recentemente, ela enfrentou críticas após presentear Yasmim Brunet com o livro “Macacos”, de Clayton Nascimento, como uma tentativa de promover reflexão. Mesmo diante dos ataques de haters, ela se mantém forte: “Quem me cancela sou eu”, afirma com determinação.

Embora seja difícil vê-la entristecida, o cansaço também a alcança às vezes. Para relaxar, ela assiste a filmes, mas apenas se houver “homem bonito e beijo na boca”, revelando seu senso de humor característico. A gargalhada é seu remédio, aliviando a alma da rigidez e do vazio. O amor é o sustento que sempre manteve sua família e todos ao seu redor, como ela mesma destaca.

Em uma entrevista para a Mina, Dona Déa compartilha sua visão sobre trabalho, saudade, ser mulher e, acima de tudo, como encontrar a felicidade.

Sua rotina é bastante agitada. Como é o seu dia a dia?

Aos 76 anos, eu pensei que ficaria quietinha, escondidinha, mas de repente tudo isso aconteceu na minha vida. Não deu para ficar parada. O Luciano [Huck] me convidou para participar do Domingão. Fui um dia e acabei ficando lá todos os domingos. Já faz quase dois anos que estou nessa jornada. Meu dia começa com preocupações sobre o que está acontecendo no país. Depois vem a parte vaidosa. Tenho que estar antenada com a vida, pensar no que vestir, como vou arrumar o cabelo… nunca fui uma pessoa vaidosa, essa vaidade toda era para o Paulo Gustavo. Então, são muitas coisas na minha cabeça. Estou quase fazendo 77 anos e estou começando a ficar cansada, porque minha vida toda foi de luta e trabalho. Mas não tem jeito, né?

É difícil ser mulher e ter essa exigência de parecer perfeita, né?

Pois é. Nunca esperei ser perfeita, não, viu? Sempre fui um pouco rebelde, faço as minhas coisas e quem quiser que goste, sempre foi assim. Após me separar, tive que trabalhar e, ao mesmo tempo, me distrair com os filhos ao meu lado. Assistia uma seresta à tarde e acabei entrando na noite, começando a cantar. Costumo dizer que fazia quentinha durante o dia para comer à noite, e cantava à noite para ter o que comer durante o dia. Minha vida sempre foi de muita luta, e quando meu filho fez sucesso, ele disse: “Chega, mãe. Você não vai fazer mais nada.” Essa foi minha vida. Agora, por causa de tudo isso, por ter estado com ele na mídia, por causa de Dona Hermínia, estou trabalhando novamente.



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