A atriz e comediante, Fabiana Karla, recentemente compartilhou um pouco da sua experiência com o TDAH, uma condição que provoca dificuldades de atenção e hiperatividade. Em sua participação no especial CARAS Inverno, a atriz falou abertamente sobre como o diagnóstico tardio a ajudou a entender e lidar melhor com os desafios que enfrentava no dia a dia.
Fabiana começou a conversa destacando a importância de se falar sobre o TDAH e de buscar informações sobre o assunto. Segundo ela, é crucial que as pessoas se informem e procurem profissionais especializados para entender melhor a condição. “Eu sempre falo muito sobre o TDAH, porque acho que é algo que precisamos legitimar e discutir. A informação é vital. Eu só descobri isso mais tarde e, por um tempo, isso me consumiu bastante. Mas também acabou me impulsionando, porque meu hiper foco se concentrou todo no meu trabalho. Mesmo assim, é algo que exige muita energia”, disse Fabiana.
Diagnosticada há dois anos, Fabiana conta que começou a procurar ajuda quando percebeu que estava com dificuldades para realizar tarefas simples, até mesmo aquelas relacionadas ao seu trabalho, que sempre foi uma fonte de prazer para ela. “Quando fui diagnosticada, comecei a entender que minha falta de foco estava afetando minha vida. Eu sempre tentava olhar nos olhos das pessoas enquanto falava com elas. Mas quando percebi que meu foco estava estranho e eu vivia inquieta, sentindo que devia algo e não podia descansar, isso gerava uma culpa enorme. Comecei a entender que precisava cuidar disso”, explicou.
Ela também mencionou que inicialmente achava que seus problemas eram resultado de muito trabalho ou cansaço, mas foi com a ajuda de um especialista que ela encontrou um caminho para lidar com a situação. “Eu comecei a buscar o que me deixava mais tranquila, o que me ajudava a manter o foco. Às vezes, é só encontrar cinco minutos de paz. Você gasta uma energia enorme para realizar tarefas simples que outras pessoas fazem com facilidade. Isso causa uma angústia de entrega que pode ser bem pesada”, disse.
Fabiana, que é mãe de Samuel Pinoti, também falou sobre o uso de um colar de girassol, um símbolo que ajuda a identificar pessoas com deficiências invisíveis. Ela revelou que, ao longo do tempo, aprendeu a não se culpar tanto por suas limitações. “Tive que me perdoar por algumas coisas que não consegui fazer e me livrar de culpas. Esse processo levou um tempo, e continuo fazendo terapia”, contou.
Ela também abordou o estigma associado a procurar ajuda profissional. “Tem gente que sente vergonha e se constrange de falar sobre isso, mas eu acho que não há espaço para vergonha nesse momento. Não dá para não compartilhar isso com os outros. Eu sou alguém que pode ajudar, e é importante que as pessoas saibam que ir ao psiquiatra não é coisa de maluco. Quem hoje ainda pensa assim não está entendendo a realidade”, finalizou Fabiana.
A sinceridade e a abertura de Fabiana Karla sobre sua experiência com o TDAH são um passo importante para desmistificar a condição e encorajar outros a buscar ajuda quando necessário.