Conheça a dieta que pode diminuir risco de Covid-19, segundo estudo

Na última quarta-feira (21), pesquisadores da Indonésia publicaram um estudo na revista Plos One, revelando que seguir uma dieta mediterrânea pode ajudar a reduzir o risco de contrair Covid-19. O estudo sugere que manter uma alimentação saudável pode ser um fator importante para diminuir tanto a chance de infecção quanto o desenvolvimento de casos graves da doença.

Andre Siahaan, professor do Centro de Medicina Baseada em Evidências da Universidade do Norte de Sumatra, que liderou a pesquisa, explica que a dieta mediterrânea é conhecida por suas propriedades anti-inflamatórias. “A Covid-19 tem uma forte relação com a inflamação no corpo, e a dieta mediterrânea pode ajudar a combater isso,” afirma Siahaan por e-mail.

Desde o início da pandemia em 2019, já foram registrados mais de 775 milhões de casos de Covid-19 em todo o mundo, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). O número continua crescendo, com mais de 47 mil novos casos relatados na semana que antecedeu 4 de agosto. Até agora, mais de 7 milhões de pessoas perderam à vida devido à doença.

Para investigar a relação entre a dieta mediterrânea e a Covid-19, a equipe revisou seis estudos com mais de 55 mil participantes, de cinco países, realizados entre 2020 e 2023. Os participantes relataram sua adesão à dieta mediterrânea através de questionários.

Os estudos diferem na forma como determinaram a infecção por Covid-19: alguns se basearam apenas em relatos dos participantes, enquanto outros utilizaram testes de anticorpos. As descobertas também variaram quando se tratou da gravidade dos sintomas, geralmente dependendo das memórias dos participantes.

Três dos seis estudos encontraram uma associação significativa entre a dieta mediterrânea e uma menor chance de infecção pelo coronavírus, enquanto dois não encontraram resultados relevantes. Apesar disso, a maioria dos estudos indicou que a dieta mediterrânea pode reduzir o risco de infecção, embora não tenha sido possível quantificar esse risco de forma precisa, conforme Siahaan.

Quanto à gravidade dos sintomas, as evidências não são tão claras. Apenas um estudo encontrou uma conexão significativa entre maior adesão à dieta e menos sintomas graves de Covid-19. Outros três estudos não encontraram associações significativas, e os resultados foram inconsistentes quanto à redução da gravidade da doença.

Alguns dos alimentos mais consumidos na dieta mediterrânea, como azeite de oliva, frutas e nozes, foram associados a um menor risco de infecção pelo coronavírus. Além disso, o consumo de vegetais, frutas, leguminosas, peixe e grãos integrais foi relacionado a menores chances de casos graves de Covid-19.

Jordi Merino, professor associado na Universidade de Copenhague, acredita que esses resultados são importantes para a saúde pública, destacando a importância de uma alimentação adequada na prevenção de doenças. No entanto, ele ressalta que as conclusões do estudo são preliminares e que há limitações a considerar.

Lisa Drayer, nutricionista e colaboradora de saúde da CNN, acrescenta que a pesquisa apresenta uma limitação significativa: todos os estudos foram observacionais, o que significa que mostram associações, mas não provam que a dieta mediterrânea realmente protege contra a Covid-19. Fatores adicionais, como obesidade, diabetes e acesso a alimentos saudáveis, podem influenciar os resultados.

Além disso, a autoavaliação dos participantes pode ser imprecisa, e a exposição ao vírus, que não foi medida nos estudos, é um fator fundamental no risco de infecção. Drayer também aponta que mais pesquisas são necessárias para tirar conclusões definitivas.

Embora mudar a dieta a curto prazo possa ter um impacto limitado no risco de Covid-19, os benefícios de uma alimentação saudável a longo prazo podem ser significativos. Sara Seidelmann, professora no Columbia Vagelos College, destaca que alimentos da dieta mediterrânea são ricos em antioxidantes, fibras e nutrientes que melhoram a função imunológica e reduzem a inflamação.

Mesmo que a dieta mediterrânea não ofereça proteção completa contra a infecção por Covid-19 ou casos graves, ela é uma opção saudável e saborosa recomendada por Drayer. A dieta também pode ajudar a reduzir o risco de doenças cardíacas, AVC, demência, câncer, colesterol alto e muito mais.

Siahaan sugere que incorporar gradualmente os elementos da dieta mediterrânea pode ser uma boa ideia. Isso inclui frutas, vegetais, grãos integrais, leguminosas, nozes, peixe e azeite de oliva, enquanto se reduz carnes vermelhas e alimentos processados.

No entanto, é importante lembrar que a vacinação continua sendo a melhor proteção contra hospitalizações e falecimento relacionadas à Covid-19. Combinando vacinas, uso de máscara e uma alimentação saudável, podemos melhorar a saúde geral e enfrentar melhor a pandemia.



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