O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) falou, nesta quinta-feira (7), sobre a responsabilidade ambiental dos Estados Unidos, afirmando que o presidente eleito, Donald Trump, precisa “pensar como um habitante do planeta Terra”. A declaração foi dada em uma entrevista exclusiva à jornalista Christiane Amanpour, da CNN Internacional.
Na entrevista, Lula ressaltou a importância de cuidar do meio ambiente e disse que todos os países precisam fazer a sua parte para evitar o aumento do aquecimento global. “A gente precisa garantir que o planeta não esquente mais do que 1,6 graus. Isso é essencial, porque, se não fizermos a nossa parte, vai ficar muito difícil para as próximas gerações”, afirmou o presidente. Além disso, ele destacou a necessidade de preservar os biomas, garantir que os rios continuem com águas limpas e que os ecossistemas de cada país sejam cuidados.
Lula também falou sobre o papel dos Estados Unidos nesse cenário. Segundo ele, o país é uma potência mundial, tanto econômica quanto militar, e por isso tem uma responsabilidade muito grande com o futuro do planeta. “Eu acho que o Trump precisa entender que ele não é só o presidente de um país poderoso. Ele tem que pensar no mundo inteiro, porque o futuro do planeta depende de ações globais”, disse o presidente brasileiro.
O tema das questões ambientais tem sido uma das prioridades de Lula desde que ele assumiu seu terceiro mandato. No mês passado, por exemplo, durante o discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, ele cobrou ações mais efetivas dos países desenvolvidos para combater as mudanças climáticas. “O planeta já não espera mais. Está cansado de promessas vazias, de acordos que não são cumpridos. E o pior é que as metas para reduzir a emissão de carbono continuam sendo negligenciadas”, declarou o presidente, lembrando também que a ajuda financeira aos países mais pobres para lidar com os impactos das mudanças climáticas ainda é insuficiente.
Sobre a eleição de Trump, o presidente brasileiro também se posicionou. Em 2025, o ex-presidente dos Estados Unidos assumirá novamente a Casa Branca, após quatro anos de ausência. Lula, que já foi crítico de Trump em outros momentos, avaliou que seria importante estabelecer uma conversa com o novo presidente dos Estados Unidos. Fontes diplomáticas brasileiras disseram à CNN que Lula pretende ligar para Trump nos próximos dias. Para o presidente brasileiro, esse gesto pode ser uma forma de demonstrar uma postura mais diplomática, diferente da adotada por Jair Bolsonaro (PL), ex-presidente do Brasil, que demorou mais de um mês para reconhecer a vitória de Joe Biden nas eleições de 2020. Bolsonaro sempre foi um grande apoiador de Trump, e sua demora em cumprimentar Biden foi vista por muitos como um gesto de desrespeito.
Para Lula, a relação com os Estados Unidos precisa ser construída com base em respeito mútuo e cooperação, especialmente nas questões ambientais, que têm sido um dos maiores desafios globais atualmente. “É preciso conversar, é preciso buscar parcerias. O futuro do planeta está em jogo, e a colaboração entre os países é fundamental para que possamos evitar os piores cenários”, afirmou.
Ao longo de sua carreira, Lula sempre foi um defensor das questões ambientais e tem se posicionado contra a destruição da Amazônia e o desmatamento ilegal, áreas em que o Brasil tem sido criticado internacionalmente. No entanto, também há quem veja sua política ambiental com um olhar mais cético, questionando até que ponto o Brasil tem feito a sua parte. Mesmo assim, é inegável que o tema continua sendo central no discurso e nas ações do governo de Lula.
Essa fala sobre Trump e o meio ambiente reflete um momento de transição nas relações internacionais, com o Brasil tentando retomar seu protagonismo global e se distanciar das políticas negacionistas adotadas pelo governo anterior.