A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, acabou apagando um vídeo que ela mesma havia postado nas redes sociais sobre o novo crédito consignado para trabalhadores do setor privado, que recebeu o nome de “Crédito do Trabalhador”. No vídeo, que foi divulgado no sábado, ela fazia uma espécie de propaganda do novo empréstimo, dizendo:
— O orçamento apertou? O juro tá lá em cima? Então, pega o empréstimo do Lula!
Além disso, Gleisi comentava que os juros da nova linha de crédito seriam mais baixos e explicava como as pessoas poderiam acessar esse tipo de empréstimo. A gravação, no entanto, acabou gerando uma enxurrada de críticas e comentários negativos. Por conta disso, o vídeo foi removido nesta segunda-feira, sem maiores explicações.
Quando a imprensa tentou saber mais sobre o motivo da exclusão do vídeo, a assessoria de Gleisi Hoffmann não deu detalhes. Em uma nota, a ministra se explicou dizendo que havia decidido retirar a postagem após perceber que estava sendo alvo de ações jurídicas por parte de partidos da oposição, que viam um propósito político por trás da divulgação. Ela ainda completou a nota dizendo:
— Diante das iniciativas jurídicas por parte dos partidos da oposição, com o claro objetivo político, decidi suspender a postagem em que chamei o consignado privado de empréstimo do Lula.
A polêmica não parou por aí. O Partido Novo, por exemplo, protocolou uma representação no Tribunal de Contas da União nesta segunda-feira, acusando Gleisi de estar usando sua posição como ministra para promover a imagem do presidente Lula pessoalmente, o que, segundo eles, configuraria um uso indevido de recursos públicos.
Curiosamente, o termo “empréstimo do Lula” já tinha sido utilizado pela própria Gleisi na sexta-feira, durante uma entrevista que ela deu à CNN Brasil. Na ocasião, ela falou sobre seu trabalho como articuladora do governo no Congresso, comentando também sobre alguns projetos prioritários, como a reforma da renda. Na entrevista, ela havia mencionado que o tal “empréstimo do Lula” ajudaria muitas pessoas a trocarem dívidas antigas por novas, com juros bem mais baixos.
Agora, sobre o crédito consignado em si, ele começou a valer na última sexta-feira e tem uma grande novidade: o empréstimo com desconto diretamente na folha de pagamento não precisa mais de convênio entre o banco e o empregador. Ou seja, a coisa ficou mais prática, já que pode ser feito pelo celular, através do aplicativo da carteira de trabalho digital.

Muita gente tem comentado que essa medida pode ser uma boa para quem precisa de uma grana extra e tá com o orçamento apertado. Por outro lado, tem gente que acha que isso pode ser uma armadilha, já que é muito fácil se endividar sem perceber. Isso sem falar no fato de que a coisa toda tem um nome tão politizado, com o “empréstimo do Lula” virando um dos maiores tópicos de discussão nas redes sociais nos últimos dias.
Com tudo isso, o clima ficou pesado. Alguns defendem que a ministra apenas tentou ajudar quem tá precisando, enquanto outros acreditam que ela usou a situação para fazer uma espécie de propaganda pessoal, o que gerou bastante desconforto, inclusive com o Partido Novo indo até o TCU. Seja como for, a polêmica está longe de acabar, e todo mundo tá de olho nos próximos passos dessa história.