O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se pronunciou neste sábado, 29, durante uma coletiva no Vietnã, sobre a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. Ele respondeu a críticas da oposição sobre a viagem dela a Paris, afirmando que ela continuará fazendo “o que quiser” e que, como mulher, ela não foi feita para ser apenas dona de casa. A fala do presidente gerou bastante repercussão, já que ele foi questionado sobre o fato de Janja ter ido ao evento sem um cargo oficial no governo.
Segundo Lula, “a mulher do presidente Lula não nasceu para ser dona de casa”. Ele reforçou que Janja tem a liberdade de ir, falar e fazer o que desejar, sem que isso precise ser justificado. O presidente ainda afirmou que a história é quem vai julgar as atitudes de todos, e que a oposição não tem razão em criticar a viagem dela.
Janja, que foi nomeada por Lula para representar o Brasil em algumas ocasiões, discursou como chefe da delegação brasileira na cúpula de Nutrição para o Crescimento (N4G), em Paris. A primeira-dama também foi recebida pelo presidente francês, Emmanuel Macron. Ela já havia estado em Paris no ano passado, para acompanhar a abertura das Olimpíadas e representar o Brasil no evento.
Lula também fez questão de esclarecer que Janja não foi a Paris “escondida”, explicando que ela estava lá a convite de Macron para falar sobre temas como fome e pobreza. Segundo ele, a viagem não foi uma ação clandestina, mas algo importante que foi realizado a convite de um líder mundial. O presidente se disse orgulhoso de ver sua esposa ser lembrada para tratar de questões tão relevantes, um convite que, em sua opinião, poderia ter sido feito a ele ou a outras pessoas.
A imprensa, inclusive o Estadão, informou que Janja não exerce um cargo oficial no governo federal, mas que ela conta com uma equipe “informal” que a ajuda em suas funções de primeira-dama, além de acompanhá-la nas viagens ao exterior. Mesmo sem um cargo oficial, ela tem participado ativamente de eventos importantes.
No entanto, as viagens de Janja têm gerado polêmica e críticas. Durante a Olimpíada de Paris em 2024, por exemplo, o governo brasileiro gastou R$ 203,6 mil com a estadia de Janja em Paris. Além disso, em fevereiro deste ano, a primeira-dama foi para Roma, na Itália, para um evento do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrário (Fida). As passagens aéreas de ida e volta custaram R$ 34,1 mil, já que Janja voou de classe executiva de Brasília para Roma.
Após essas críticas, a Advocacia-Geral da União (AGU) está trabalhando em um parecer para definir melhor qual deve ser o papel da esposa dos presidentes da República em eventos oficiais e institucionais. Parece que a figura da primeira-dama tem sido cada vez mais discutida, especialmente em um momento em que ela tem assumido funções de representação em diferentes partes do mundo.
Ainda no Vietnã, Lula também aproveitou para comentar sobre a balança comercial entre os dois países, dizendo que há um grande potencial para triplicar o volume de comércio, que atualmente é de US$ 7,7 bilhões. Ele acredita que o Brasil tem tudo para alcançar um valor de US$ 20 bilhões com o país asiático.
O presidente também falou sobre a questão das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Lula afirmou que tentará negociar o máximo possível com os EUA antes de adotar medidas como reciprocidade tarifária ou recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).
Por fim, Lula aproveitou o momento para criticar a postura de Jair Bolsonaro (PL) e sua busca por anistia após os ataques de 8 de janeiro. O presidente chamou a atitude de “bobagem”, sugerindo que Bolsonaro sabe que está sendo acusado de erros graves e que, no fundo, não tem o que fazer para se defender.
Essa situação, que mistura política, críticas e viagens internacionais, continua dando o que falar, e o papel da primeira-dama na administração de Lula segue sendo um tema importante nas discussões públicas.