O ex-presidente Jair Bolsonaro (70) segue internado na UTI de um hospital em Brasília, após passar por uma cirurgia de mais de 12 horas na região abdominal. Ele teve que ser internado de emergência na última sexta-feira, dia 11, no Rio Grande do Norte, depois de sentir fortes dores na barriga. Em uma publicação feita nesta quarta-feira, dia 16, o ex-presidente se manifestou sobre seu estado de saúde e informou que está “evoluindo bem”, sem dores fortes, sangramentos ou complicações mais sérias.
Em entrevista à CARAS Brasil, a médica gastroenterologista e hepatologista Patrícia Almeida explicou o que pode ter causado a obstrução intestinal de Bolsonaro. Ela disse que esse tipo de quadro é sério e pode ser resultado de problemas antigos, como a facada que o ex-presidente levou em 2018, que comprometeu o funcionamento do intestino.
O médico Antônio Luiz Macedo, que cuida de Bolsonaro, também falou sobre os sintomas que levaram à internação, que incluem dores fortes, dificuldades para se alimentar e problemas na digestão. O ex-presidente passou pela cirurgia para corrigir a obstrução intestinal, uma condição que impede a passagem de gases e fezes.
A médica Patrícia Almeida detalhou os sinais de alerta para a obstrução intestinal, que são bastante conhecidos na medicina. Ela disse que dor abdominal intensa, distensão do abdômen, vômitos e a súbita interrupção do funcionamento do intestino podem ser sinais de uma obstrução grave, que pode evoluir rapidamente para complicações mais sérias, como a isquemia intestinal (quando o intestino sofre por falta de oxigênio), perfuração, sepse e até morte. “Quando o intestino para de funcionar, o corpo todo entra em alerta”, explicou a especialista.
A obstrução intestinal pode ter várias causas, mas ela destacou que pessoas que passaram por muitas cirurgias abdominais têm mais risco de desenvolver esse problema, devido às aderências (bandas de tecido cicatricial) que podem se formar após a operação e acabar prendendo o intestino, dificultando seu funcionamento.
Patrícia também falou sobre as causas mais comuns de obstrução intestinal, como aderências pós-cirúrgicas, hérnias encarceradas, tumores intestinais, torções intestinais e doenças inflamatórias, como a Doença de Crohn. Ela disse que, quando a obstrução é grave, o tratamento não pode esperar. “O tempo pode ser o fator decisivo entre tratar com remédios e precisar de uma cirurgia mais complexa, que até pode exigir a retirada de partes do intestino”, alertou.
Na emergência, o tratamento para a obstrução intestinal começa com exames de imagem, como radiografias e tomografia computadorizada, para confirmar o diagnóstico e ver o grau da obstrução. O tratamento inicial pode ser feito com jejum absoluto, reposição de líquidos na veia e uso de uma sonda nasogástrica para descomprimir o sistema digestivo. Caso o intestino esteja sofrendo, a cirurgia torna-se necessária e precisa ser feita o quanto antes.
Pacientes que já passaram por cirurgias abdominais, especialmente várias vezes, precisam ficar atentos aos sinais de obstrução intestinal, porque, em muitos casos, a condição pode voltar a ocorrer. A médica ressaltou que é comum pacientes que se operaram há anos desenvolverem aderências que podem provocar obstruções intestinais novamente. Por isso, é importante não ignorar sintomas como dor abdominal ou distensão.
No final, Patrícia respondeu algumas perguntas comuns sobre o tema:
- Toda obstrução intestinal precisa de cirurgia?
- “Não. Em casos leves, principalmente os causados por aderências simples, o tratamento clínico pode ser suficiente. Mas se houver complicações, a cirurgia é necessária.”
- O que é a sonda nasogástrica?
- “É um tubo fino inserido pelo nariz até o estômago, que ajuda a aliviar a pressão no sistema digestivo e reduzir os vômitos.”
- Como prevenir a obstrução intestinal?
- “Não há uma prevenção garantida, mas fazer cirurgias menos invasivas e seguir o acompanhamento médico adequado pode reduzir os riscos.”
- Quando devo ir ao pronto-socorro?
- “Se você tiver dor abdominal persistente, distensão, vômitos ou não conseguir evacuar ou liberar gases por mais de 24 horas, procure atendimento imediato.”
Esse caso de Bolsonaro trouxe à tona a importância de identificar precocemente sinais de problemas intestinais, pois, em situações como essa, a rapidez no diagnóstico e tratamento pode fazer toda a diferença.