Na última sexta-feira (30), o júri popular não teve dúvidas: Paulo Cupertino foi condenado a 98 anos de prisão pelo assassinato do ator Rafael Miguel e seus pais, João e Miriam. Mesmo diante das provas e dos testemunhos, o réu se manteve firme em negar o crime. Durante o julgamento no Fórum da Barra Funda, em São Paulo, Cupertino não apenas rejeitou a culpa, como também se recusou a pedir desculpas.
“Impossível eu ter cometido esse crime. Eu não tenho que pedir perdão, tá? Porque não carrego isso no meu coração”, afirmou ele, com frieza, em um vídeo exibido pela TV Globo. “Eu não tenho pesadelo, não sonho com isso, não tenho arrependimento porque não vejo essa imagem na minha mente.”
A postura de Cupertino foi de constante desafio às autoridades. Em vez de responder às perguntas da promotoria, ele provocou. Chamou os promotores de “bonitão” e “barbudão” e os acusou de incompetência. “Se você quer me cortar, fica à vontade”, disse, com tom de deboche. Em outro momento, criticou a polícia: “Nem foi fuga. Essa fuga que falam aí… cambada de incompetente. Esses três patetas que me prenderam.”
Mesmo com todas as acusações e evidências, Cupertino apresentou uma versão alternativa para o crime. Segundo ele, outra pessoa teria sido a responsável pelos disparos. No entanto, se recusou a identificar quem seria o suposto atirador ou apresentar qualquer prova concreta. “Eu não fui covarde por ter matado seu João e dona Miriam. Eu fui covarde porque eu poderia ter evitado”, disse, de forma ambígua, ao relatar que presenciou o assassinato, mas não interveio.
A justificativa? Medo. “Eu saí andando, não correndo. A polícia não ia me proteger. Se eu contasse o que realmente vi, não estaria aqui hoje”, afirmou, dando a entender que seria eliminado se dissesse a verdade.
No entanto, o promotor Rogério Zagallo foi categórico ao afirmar que a história contada por Cupertino é “fantasiosa”. Para ele, a tentativa do réu é de se colocar como uma espécie de testemunha, e não autor do crime. Mas, segundo o Ministério Público, isso não se sustenta. Cápsulas de uma pistola calibre 380 encontradas no local do crime coincidem com a arma que Cupertino possuía. Além disso, a pistola dispara cápsulas que caem perto de quem atira — o que ajuda a indicar a posição do assassino no momento dos disparos.
“Isso desmonta completamente a versão de que ele apenas viu alguém cometendo o crime”, reforçou o promotor. Também foi descoberto que ele tinha outro revólver em casa, um calibre 38.
A filha de Cupertino, Isabela Tibcherani, e sua ex-esposa, Vanessa, prestaram depoimento durante o julgamento e relataram episódios de violência e controle. Ele teria proibido o relacionamento entre Isabela e Rafael Miguel, embora tenha negado saber da existência do ator. “Seria um privilégio ter conhecido o Rafael, mas eu nunca soube de nada”, disse, numa tentativa de amenizar a situação.
No fim das contas, apesar das falas desconexas e das acusações sem provas, a Justiça considerou Cupertino culpado. As imagens que poderiam confirmar o crime desapareceram, mas a soma dos elementos — testemunhos, provas balísticas e a postura do réu — pesaram na condenação.
Assim, após quase cinco anos do crime que chocou o país, a justiça deu sua resposta. Paulo Cupertino, agora oficialmente condenado, tenta se defender de algo que, segundo ele, nunca cometeu. Mas os fatos dizem o contrário.