Na última terça-feira (03), o lendário Chico Buarque, 80 anos, passou por uma cirurgia delicada no crânio, deixando fãs apreensivos. O procedimento foi realizado no Hospital Copa Star, no Rio de Janeiro, um dos mais modernos do país. Segundo o próprio artista, que compartilhou a informação nas redes, a cirurgia teve como objetivo reduzir a pressão intracraniana. Apesar de soar assustador, o caso parece estar sob controle.
Conversamos com o Dr. Carlos Alberto Mattozo, neurocirurgião renomado dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, que explicou direitinho como esse tipo de procedimento funciona. Ele deixou claro que, embora envolva uma parte sensível do corpo, o cérebro, a cirurgia em si não é considerada de alto risco — principalmente quando feita com os recursos certos, como foi o caso do Chico.
Mas afinal, por que alguém precisa passar por uma cirurgia no crânio aos 80 anos? Segundo o doutor Carlos, há alguns motivos possíveis. “Na maioria dos casos, isso acontece por conta de um traumatismo craniano ou por uma condição chamada hidrocefalia de pressão normal, que é mais comum em idosos, especialmente a partir dos 75 anos”, explicou. Os sintomas dessa condição são traiçoeiros: perda de memória, dificuldades no aprendizado, alterações na marcha e até incontinência urinária. Ou seja, é fácil confundir com o envelhecimento comum, o que pode atrasar o diagnóstico.
A cirurgia, que dura cerca de uma hora e meia, consiste na colocação de um cateter dentro do cérebro, justamente na região onde se acumula o líquido em excesso. Esse cateter é então direcionado sob a pele até a cavidade abdominal — ali no peritônio — e passa a drenar o líquido pra essa nova região, aliviando a pressão no crânio. Parece coisa de ficção científica, mas já é uma técnica bem estabelecida na medicina.
Apesar da idade do paciente levantar algumas preocupações, o médico tranquiliza: “O risco maior seria uma rejeição à prótese ou alguma infecção, mas isso não é frequente, principalmente com acompanhamento adequado.” Ou seja, mesmo pessoas com mais idade — como o Chico — podem se submeter ao procedimento com segurança, desde que estejam estáveis de saúde.
Outra dúvida comum é se o estilo de vida tem alguma relação com a necessidade da cirurgia. A resposta é não. “Não há um perfil específico. Não é porque a pessoa tem uma rotina intensa ou sedentária que vai desenvolver isso. É algo mais ligado a processos degenerativos do cérebro, como a demência ou o Parkinson”, explicou Carlos.
Se a cirurgia não for feita, os sintomas podem ir piorando aos poucos. Daí a importância do diagnóstico precoce e da intervenção no momento certo, pra garantir mais qualidade de vida pro paciente.
E no pós-operatório, o que muda? Bom, os cuidados são parecidos com outros procedimentos neurocirúrgicos: atenção com a cicatriz, evitar quedas e voltar à rotina de maneira gradual, sem exageros. A recuperação costuma ser rápida — em dois dias o paciente já pode receber alta. Em alguns casos, a fisioterapia ajuda bastante na reabilitação, principalmente pra quem já vinha apresentando dificuldades motoras.
Chico Buarque, com a força e elegância de sempre, mostrou mais uma vez que saúde é prioridade. Aos 80, ainda nos encanta com sua música e sensibilidade — e agora, também, com sua coragem diante dos desafios da vida. Desejamos a ele uma recuperação tranquila e, claro, que volte logo aos palcos. Porque o Brasil ainda precisa (e muito) ouvir Chico cantar.