Quem era Edson Café, ex-músico do Raça Negra, que faleceu em São Paulo

Edson Bernardo de Lima, mais conhecido como Edson Café, foi uma das peças importantes na formação do grupo Raça Negra durante o auge do pagode nos anos 90. Ele era o cara do violão e da percussão, aquele tipo de músico que segura a base com alma, no sentimento. Infelizmente, sua história teve um desfecho triste nessa quarta-feira (6/6), quando foi encontrado desacordado numa rua da zona leste de São Paulo. Levado às pressas para um hospital da região, ele acabou não resistindo.

Segundo informações preliminares, Edson foi achado sozinho, caído na rua, sem documentos. Depois, familiares o reconheceram no Instituto Médico Legal (IML) Leste, confirmando que era mesmo ele. Um fim melancólico pra quem já esteve no topo das paradas e nos palcos mais disputados do Brasil.

A trajetória de um talento ferido

Depois de sair do Raça Negra, Edson Café passou por um momento difícil na vida. Sofreu um derrame que comprometeu os movimentos dos braços — uma tragédia pessoal pra qualquer um, mas ainda mais pra quem vive da música. A partir daí, ele mergulhou no uso de drogas como crack e maconha, tentando, talvez, anestesiar as dores que não apareciam por fora.

Teve idas e vindas. Internações em clínicas de reabilitação, tentativas de recomeço, mas sempre com obstáculos. Em determinado momento, chegou a morar com os filhos no Rio de Janeiro, tentando se reerguer. Mas os conflitos familiares, infelizmente, o empurraram de volta pras ruas e pro vício. Em 2020, numa entrevista à imprensa, ele chegou a dizer com sinceridade:

“Estava propenso à recaída. Não tem como morar na rua e não fumar um baseado, não dá.”

Essa frase diz muito mais do que parece. Mostra a crueza de uma realidade invisível pra muita gente. As ruas são hostis, e o escape vem fácil pra quem já tá no limite.

Trabalho como forma de resistência

Já de volta à cidade de São Paulo, Edson continuou vivendo nas ruas, mas tentava se manter ativo. Fazia bicos, cuidava de carros numa praça próxima à Cracolândia. Era uma forma de se manter longe das drogas, ainda que por pouco tempo. Ele mesmo explicava:

“Se eu ficar aqui, fico querendo escrever ou então me drogar. Vou ficar enfiado na Cracolândia aí do lado. Eu prefiro sair, dar um rolezinho. E ganhar um dinheirinho.”

Curiosamente, uma fã o acolheu por um tempo, alguém que admirava sua história e tentou tirá-lo da situação de rua mais de uma vez. Mas os fantasmas do passado, somados à ausência de uma rede sólida de apoio, falaram mais alto.

Ressentimento com o passado

Apesar do carinho que ainda recebia de alguns fãs, Edson guardava mágoas — especialmente dos ex-companheiros do Raça Negra. Sentia que foi deixado de lado depois que os problemas começaram. Numa entrevista antiga, ele desabafou com raiva e tristeza:

“Falaram que não iam me dar dinheiro porque sabiam que, depois do meu envolvimento com a drogadição, eu iria gastar meu dinheiro todinho com droga. Não importa, o dinheiro é meu, eu faço o que eu quero. Se eu tenho direito de receber, eu quero receber.”

A fala reflete não só a dor de quem se viu esquecido, mas também a confusão entre orgulho, necessidade e abandono.

Uma história que merece ser lembrada

Edson Café não foi só mais um músico. Ele foi parte de um fenômeno musical brasileiro. E também foi humano, falho, vulnerável — como todos nós. Sua morte serve como alerta, mas também como memória. Ele merece ser lembrado não só pelos erros, mas principalmente por aquilo que tocou nas pessoas enquanto estava no palco.



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