“Sou patriota, não sou idiota”, afirma manifestante na Av. Paulista; vídeo

Na tarde deste domingo (29), a Avenida Paulista voltou a ser palco de mais um daqueles protestos fervorosos que reúnem milhares de pessoas com uma mistura de revolta, esperança e, claro, um pouco de tudo que anda fervendo na cabeça do brasileiro nos últimos tempos. Entre as vozes que ecoavam pelos trios elétricos e cartazes improvisados, uma senhora vinda de Pirituba, na zona noroeste de São Paulo, chamou a atenção por sua fala forte e direta.

Dona Lúcia, como se apresentou à equipe do Pleno.News, saiu de casa logo cedo para participar do ato convocado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Carregando uma bandeira do Brasil amarrada nas costas e vestindo verde e amarelo da cabeça aos pés, ela explicou por que decidiu ir à rua, mesmo com o calor e o cansaço da idade.

— Eu sou brasileira, patriota e não sou idiota, entendeu? — disparou, num tom que misturava frustração e desafio. — Sou anti-PT, esse bando de ladrão aí. Eu queria mesmo é que cada brasileiro que ainda ama esse país estivesse aqui também, pra mostrar que a gente não aceita isso mais.

A manifestação começou oficialmente às 14h, com dois trios elétricos posicionados na avenida. O clima era de indignação, mas também de festa — gente cantando o Hino Nacional, vestindo camisetas com frases como “Brasil acima de tudo”, e até vendedor ambulante aproveitando pra faturar vendendo água, bandeiras e bonés do ex-presidente.

O foco principal do ato, segundo os organizadores, era pedir justiça pelos presos do dia 8 de janeiro de 2023 — data em que manifestantes invadiram prédios dos Três Poderes, em Brasília, em um episódio que ainda divide opiniões pelo país.

Dona Lúcia, no entanto, não poupou críticas. Em especial, direcionou sua indignação ao ministro do STF Alexandre de Moraes, ao presidente Lula (PT) e à primeira-dama Janja.

— Alexandre de Moraes, Lula, Janja… essa cambada aí. Uma corja, isso sim. A gente tem que limpar o Brasil dessa gente. Tá na hora do povo acordar e ir pra guerra — disse ela, gesticulando com as mãos. — Ficar em casa achando que tudo vai se resolver sozinho não dá mais. Se a gente não lutar, ninguém vai fazer isso pela gente.

A manifestação contou com a presença de nomes de peso da direita brasileira. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apareceu ao lado da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. No trio principal, o pastor Silas Malafaia comandava parte do evento e pedia união dos conservadores.

Também estavam por lá os líderes do PL na Câmara e no Senado, Sóstenes Cavalcante (RJ) e Carlos Portinho (RJ), além de Rogério Marinho (RN), líder da Oposição no Senado, e o deputado Zucco (PL-RS).

Apesar das críticas e da tensão política que rondava o evento, o clima se manteve relativamente pacífico, com forte presença policial e apoio logístico da CET. Não houve registro de confronto até o início da noite.

Em tempos de polarização extrema, eventos como esse mostram que, mais do que uma disputa entre partidos, há um sentimento crescente de insatisfação por parte de uma parcela significativa da população. Dona Lúcia, com seu jeito simples e suas palavras duras, acabou resumindo o espírito de muitos ali presentes:

— O Brasil não é deles, é nosso. Se a gente não defender, quem vai?

Confira:



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