A mais nova reviravolta envolvendo a família Bolsonaro veio direto do gabinete do ministro Alexandre de Moraes. Numa decisão recente, o ministro determinou que entrevistas e publicações do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) fossem oficialmente incorporadas ao inquérito que apura se houve tentativa de interferência nas investigações contra seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A reação de Eduardo não demorou — e veio com uma pitada de ironia.
Desde que Jair foi alvo de decisões judiciais que o afastaram de direitos políticos e o colocaram sob medidas cautelares, o filho número três tem se mostrado cada vez mais combativo, principalmente nas redes. Segundo Moraes, as manifestações de Eduardo podem ser mais do que simples críticas — podem configurar ataques contra o Estado Democrático de Direito.
Crítica? Meme? Ou crime?
Eduardo Bolsonaro usou seu perfil no X (antigo Twitter) pra comentar a inclusão de suas postagens no inquérito. E fez isso, como de costume, no estilo debochado que já virou marca registrada:
“Vocês viram algo criminoso neste tweet que estou dando RT? Pois é, Moraes viu aí um ataque à democracia e juntou no inquérito que ele abriu contra mim pedindo +12 anos de cadeia. Cuidado, memes matam…”, escreveu ele, misturando ironia e indignação.
A publicação em questão era um simples retuíte, segundo o deputado. Mas para Alexandre de Moraes, essas e outras mensagens têm conteúdo ilegal e devem ser investigadas com seriedade.
Mickey, críticas e provocações
Um dos elementos que mais chamou atenção foi uma imagem que Eduardo compartilhou, em que o ministro aparece com orelhas do Mickey Mouse. A montagem foi usada pra ironizar a suposta curiosidade de Moraes sobre a viagem do ex-assessor Filipe Martins. Na legenda, Eduardo escreveu que agora o mundo inteiro sabia quem não ia viajar: o próprio Moraes.
O gesto, pra muitos, pode parecer só mais uma provocação boba de rede social. Mas no contexto de um inquérito que apura a tentativa de desestabilizar o regime democrático, memes como esse passam a ganhar outra leitura — e mais peso jurídico.
Moraes, inclusive, foi direto em sua decisão:
“Após a adoção de medidas investigativas de busca e apreensão domiciliar e pessoal, bem como a imposição de medidas cautelares a Jair Messias Bolsonaro, o investigado Eduardo Bolsonaro intensificou as condutas ilícitas objeto desta investigação, por meio de diversas postagens e ataques ao STF nas redes sociais.”
Mais que palavras
A questão que se coloca agora é até onde vai a liberdade de expressão, e onde começa a responsabilidade por incitar ataques contra instituições. A defesa de Eduardo Bolsonaro deve se amparar no argumento de que se trata de crítica política — ou até sátira. Mas Moraes entende que há indícios de algo mais grave, como tentativa de obstrução de Justiça e até apoio a atos antidemocráticos.
O momento político não ajuda: estamos em pleno 2025, com investigações em alta e o clima polarizado como nunca. Depois dos ataques de 8 de janeiro e as constantes tensões entre o Legislativo e o Judiciário, qualquer declaração mais inflamável vira combustível.
Eduardo, afastado temporariamente do cargo, não recua. Continua postando, comentando e ironizando os desdobramentos do caso. A pergunta que fica é: essa linha tênue entre provocação e crime vai ser respeitada? Ou já foi cruzada?
Pra quem acompanha a política brasileira, é mais um capítulo numa série que parece longe de acabar.
Confira:
