Saiba o que tinha no pen drive apreendido na residência de Bolsonaro

Na última sexta-feira (18), durante mais uma operação da Polícia Federal na casa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), um item inesperado chamou atenção: um simples pen drive. A apreensão do dispositivo gerou um rebuliço nas redes sociais e na imprensa, com muita gente especulando sobre o que poderia estar guardado ali dentro. Seriam documentos secretos? Conversas comprometedoras? Vídeos comprometedores? Nada disso.

Segundo apuração do jornalista Túlio Amâncio, da Band, que conversou com fontes próximas à investigação, o conteúdo do pen drive era bem menos bombástico do que muitos imaginaram: algumas músicas gospel e pouquíssimas fotos. O laudo foi feito pelo pessoal do Instituto Nacional de Criminalística (INC), e concluiu que o conteúdo era irrelevante pro inquérito em curso. Ou seja, todo aquele auê por praticamente nada.

Ainda na sexta, o próprio Bolsonaro comentou o caso. Visivelmente incomodado, disse que nem sabia de onde o pen drive tinha vindo e sugeriu que poderia ser da esposa, Michelle Bolsonaro. “Uma pessoa pediu pra usar o banheiro e depois apareceu com um pen drive. Eu nunca abri um pen drive na vida, nem laptop eu tenho em casa”, disse ele, em tom de indignação. E completou: “Se tivesse alguma coisa comprometendo… você acha que eu ia deixar lá dando sopa? Não sou bandido, pô. Vou perguntar pra minha esposa se era dela.”

A declaração caiu como pólvora na internet. Teve quem acreditasse, teve quem debochasse. E como já virou praxe, a polarização falou mais alto. Enquanto aliados do ex-presidente trataram o caso como mais uma tentativa de criminalizá-lo, opositores apontaram que, mesmo sem nada grave no dispositivo, o conjunto das investigações segue preocupante.

E falando em conjunto, a PF não ficou só no pen drive. Na mesma batida, também foram encontrados 14 mil dólares em espécie (equivalente a quase R$ 78 mil), além de R$ 8 mil em dinheiro vivo. Fora isso, tinha uma cópia de uma ação judicial movida pela plataforma Rumble contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes, nos EUA. Esse último detalhe, apesar de parecer aleatório, chamou a atenção de quem acompanha os desdobramentos do embate entre Bolsonaro e o Judiciário.

Com tudo isso, o ex-presidente passou a ter que seguir novas medidas cautelares. Entre elas, o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com embaixadores, diplomatas e outros investigados no mesmo inquérito, além de restrição de circulação: agora ele tem que ficar em casa à noite durante a semana e o dia inteiro nos fins de semana. Algo que, pra um ex-chefe de Estado, é no mínimo simbólico.

Bolsonaro é acusado de articular um plano de golpe de Estado, o que, se confirmado, pode levá-lo a pegar até 43 anos de prisão. Ele, como já esperado, nega todas as acusações e diz ser vítima de perseguição política. Essa narrativa, inclusive, tem sido usada com frequência nas lives que ele ainda faz, mesmo com o cerco apertando cada vez mais.

Enquanto isso, o Brasil assiste de camarote a mais um capítulo dessa novela que mistura política, investigação, escândalo e religião. E o tal pen drive, que poderia ser uma bomba, acabou virando quase uma trilha sonora de culto. No fim das contas, o dispositivo virou mais um símbolo da tensão que segue rondando o cenário político do país.



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