Durante um evento que aconteceu nesta terça-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) evitou entrar em detalhes sobre a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), decretada no dia anterior, segunda-feira (4). Visivelmente focado em outra pauta, Lula preferiu não estender o assunto envolvendo seu principal opositor político.
“Melhor ficar calado, não quero falar do que aconteceu hoje com o outro cidadão brasileiro que tentou dar o golpe. Eu quero falar do nosso país, dar uma chance de falar do Brasil”, disparou o presidente, claramente desconfortável com a situação. A fala veio durante a abertura da 5ª reunião plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (CDESS), o chamado Conselhão.
O Conselhão, pra quem não sabe, é um órgão que reúne empresários, lideranças sociais e ativistas pra pensar soluções e ajudar o governo a desenhar políticas públicas mais eficientes. Esse encontro específico contou com a presença do próprio Lula, além de vários ministros que compõem o alto escalão do governo.
Foi a primeira vez que Lula mencionou o assunto publicamente, mesmo que de forma breve. A decisão que colocou Bolsonaro em prisão domiciliar foi tomada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sob a justificativa de que o ex-presidente descumpriu medidas cautelares que já tinham sido impostas anteriormente pela Justiça.
O motivo imediato pra decisão, segundo os autos, foi a participação de Bolsonaro, por telefone, numa manifestação bolsonarista que rolou no último domingo (3), lá no Rio de Janeiro. O problema é que, naquele momento, ele deveria estar quieto em casa, em Brasília, justamente por causa das restrições impostas pela Justiça. Mesmo assim, o vídeo com sua participação acabou viralizando nas redes sociais depois que seus filhos, os parlamentares Carlos e Flávio Bolsonaro, republicaram as imagens.
Diante da repercussão, Moraes decidiu agir rápido. Em sua decisão, o ministro foi direto: “A Justiça não permitirá que um réu faça de tola, achando que ficará impune por ter poder político e econômico. A Justiça é igual para todos. O réu que descumpre deliberadamente as medidas cautelares — pela segunda vez — deve sofrer as consequências.”
O caso agitou os bastidores políticos em Brasília e deixou o clima ainda mais tenso entre o Planalto e os aliados do ex-presidente. Não é a primeira vez que Bolsonaro se envolve em polêmicas judiciais, mas essa prisão domiciliar marca uma nova fase no embate entre ele e as instituições.
Enquanto isso, Lula tenta manter o foco em sua agenda econômica e social. Ele tem feito questão de se distanciar dos conflitos diretos com Bolsonaro e tem adotado um tom mais institucional, talvez numa tentativa de mostrar que está acima das brigas políticas.
Vale lembrar que o cenário político brasileiro anda bastante conturbado. Com as eleições municipais chegando e a polarização ainda muito presente nas ruas e nas redes, qualquer movimento de Lula ou de Bolsonaro tem impacto direto na opinião pública.
No final das contas, Lula quer deixar claro que seu governo não será pautado pelas ações do antecessor. Já Bolsonaro, mesmo em prisão domiciliar, segue influente entre seus apoiadores mais fiéis. Resta saber até quando essa tensão vai continuar se desenrolando.