Num clima bem acalorado, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a fazer barulho em Belém, no Pará. Durante um ato político neste fim de semana, cercada por apoiadores vestindo verde e amarelo, ela não economizou nas palavras e partiu pra cima do presidente Lula, chamando ele, com todas as letras, de “cachaceiro sem-vergonha”. A fala, claro, viralizou nas redes e gerou aquele rebuliço de sempre.
Ela subiu num carro de som, visivelmente indignada, e meteu bronca nas decisões do atual governo. “Lula tá entregando as nossas riquezas pros comunistas, fazendo aliança com ditadores e com países que não respeitam a democracia. Isso aí a gente não vai aceitar calado”, disparou. O tom era de revolta, de enfrentamento direto. Michelle também cutucou o presidente dizendo que ele “não é macho pra assumir o que fala”. A fala dividiu opiniões, como sempre acontece nesse clima polarizado que o Brasil vive.
Ela não parou por aí. Fez questão de lembrar o público que, segundo ela, o povo brasileiro tá perdendo suas liberdades mais básicas. “A liberdade de expressão tá sendo caçada. A liberdade religiosa também tá sob ataque”, afirmou a ex-primeira-dama, se referindo às decisões do STF e ao que ela considera uma perseguição ideológica. Michelle ainda cutucou o PT, dizendo que o partido mudou completamente de discurso: “Eles eram contra a indicação do Alexandre de Moraes. Hoje são aliados de carteirinha. Vai entender…”
O evento em Belém fez parte de uma série de manifestações bolsonaristas que aconteceram pelo país todo no último fim de semana. Apesar do discurso inflamado, um fato chamou a atenção e gerou críticas entre seus próprios aliados: a ausência de Michelle no grande ato da Avenida Paulista, em São Paulo, que foi considerado por muitos como o momento mais simbólico das manifestações.
Segundo o portal UOL, teve muita gente próxima do núcleo bolsonarista que ficou desapontada com a ausência dela no evento da capital paulista. Alguns até comentaram, meio atravessado, que ela deveria ter dado prioridade à Paulista, onde estavam figuras de destaque do movimento.
Mas a assessoria dela tratou logo de explicar. Em nota enviada à imprensa, afirmaram que Michelle já tinha um compromisso marcado em Marabá (no interior do Pará) pra participar de um evento do PL Mulher. E que, por isso, escolheu participar do ato em Belém, que também teve grande adesão. A justificativa foi que as manifestações dessa vez foram descentralizadas, acontecendo em várias capitais do país.
Mesmo assim, o burburinho dentro da base bolsonarista ficou evidente. Tem gente questionando o quanto Michelle está disposta a assumir um protagonismo mais forte dentro da direita. Vale lembrar que o nome dela é sempre citado como possível candidata em 2026, seja pra algum cargo majoritário ou até mesmo pra presidência. Mas essas ausências estratégicas acabam levantando dúvidas.
O fato é que Michelle tem carisma, fala o que pensa e sabe se comunicar com a base. Isso é um ativo político forte. Porém, pra muita gente do movimento, presença em atos simbólicos como o da Paulista é essencial pra manter a força do grupo.
Por enquanto, ela segue firme no papel de liderança feminina dentro do PL, especialmente com o público conservador evangélico. Mas, como 2026 já começa a aparecer no retrovisor, cada movimento dela — ou a falta dele — vai sendo analisado com lupa, tanto por aliados quanto por adversários.