A atriz baiana Lyu Árisson, que ficou conhecida nacionalmente pelo papel de Yolanda no longa “Ó Paí, Ó” — sucesso que até hoje é lembrado nas rodas de conversa sobre o cinema popular brasileiro —, foi vítima de uma tentativa de feminicídio no último dia 26. O caso chocou fãs, amigos e artistas, e agora ela se recupera no Hospital Ortopédico do Estado da Bahia (HOE), em Salvador, bairro do Cabula.
Segundo a própria Lyu contou nas redes sociais nessa quinta-feira (7), o agressor é ninguém menos que o ex-namorado dela. O homem já foi preso, mas o trauma deixado não será apagado tão cedo. “Já acordei tomando uma paulada na testa. Escureceu tudo, fiquei tonta… mesmo assim, ainda tentei lutar”, desabafou a atriz em um vídeo que comoveu milhares de seguidores. Ela disse que o ataque foi brutal e inesperado, e que o agressor ainda tentou sufocá-la. “Ele queria me matar”, disse com a voz embargada.
Lyu relatou que ninguém ouviu seus gritos por causa do isolamento acústico do apartamento onde mora. Ela só conseguiu escapar quando pediu um pano, dizendo que precisava limpar os machucados. Ao sair, correu desesperada até os vizinhos, que prontamente a ajudaram e levaram ela pro Hospital de Simões Filho. Lá, foi feito o primeiro atendimento. “Se eu não tivesse conseguido sair, eu estaria morta. Foi livramento mesmo, um milagre de Deus”, afirmou.
O motivo da violência? Segundo ela, ciúmes e controle. O ex-companheiro, conforme Lyu contou, já vinha tentando afastá-la de amigos, da família, e até da vida artística. É o tipo de história que, infelizmente, muita gente conhece de perto. Relacionamentos tóxicos que vão piorando até chegar nesse ponto — e às vezes, nem todo mundo tem a sorte de conseguir sair com vida.
A atriz também foi firme ao falar da importância de denunciar. Disse que assim que tiver alta, vai registrar a ocorrência formalmente e buscar justiça. “A gente não pode se calar. A transfobia, a homofobia e o feminicídio estão aí, cada vez mais presentes. Eu não vou me calar. Por mim e por tantas outras que não conseguiram”, declarou, visivelmente emocionada.
Ela foi transferida para o HOE, onde passou por uma cirurgia no braço — região que ficou bastante comprometida durante o ataque. Os médicos colocaram três pinos na área fraturada. Apesar de estável, ela segue internada e ainda não há previsão de alta.
Até agora, a Polícia Civil da Bahia e a Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA) não soltaram nota sobre o caso. O espaço segue aberto pra qualquer manifestação por parte das autoridades.
É importante lembrar que o Brasil vive uma escalada preocupante de violência contra mulheres, em especial contra mulheres trans. Em 2024, por exemplo, os números de feminicídio e ataques transfóbicos já superaram os dados do ano passado — segundo o último levantamento do Instituto Patrícia Galvão. Casos como o de Lyu escancaram o que muitos tentam ignorar: que o ódio, disfarçado de “paixão”, continua fazendo vítimas todos os dias.