Gleisi não perdoa e rebate críticas de Tarcísio feito a Lula: ‘Brasil não aguenta mais’

A cena política brasileira ganhou mais um capítulo de troca de farpas nesta quarta-feira (13). A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), não deixou barato as críticas feitas pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), durante o AgroFórum, evento organizado pelo banco BTG Pactual. Num post direto nas redes sociais, ela disparou: “O que o Brasil não aguenta mais é gente que torce contra o país”.

E não ficou só nisso. Gleisi, que já é conhecida por não economizar nas palavras, aproveitou para lembrar um episódio recente e bastante espinhoso: o esquema bilionário de propinas revelado pelo Ministério Público em São Paulo, envolvendo a Secretaria da Fazenda. “Um dia depois dessa bomba vir à tona, o governador vem com esse papo de que o Brasil não aguenta mais corrupção e nem o Lula. Com que autoridade ele diz isso?”, escreveu a ministra.

No mesmo texto, ela cutucou ainda mais: “Logo ele, que bateu palmas para o tarifaço de Bolsonaro e Trump. Enquanto o governo federal apresentava medidas pra proteger o país, Tarcísio, Ratinho, Caiado e Leite estavam lá, num evento de banqueiros, atacando o governo. O que o Brasil não aguenta mais é gente que coloca interesse pessoal e político acima do que é melhor pras empresas, pros trabalhadores e pras famílias brasileiras”.

O contra-ataque de Tarcísio

Segundo análise da CNN, o discurso de Tarcísio no AgroFórum não foi apenas mais uma fala protocolar. Ele subiu o tom contra o Planalto e, pela primeira vez, citou Lula nominalmente, afirmando que o Brasil “não aguenta mais” o presidente e o PT. Para especialistas, essa mudança de postura não é à toa: parece ser um reposicionamento calculado, mirando de vez no papel de liderança da oposição.

Esse tipo de ajuste não acontece por acaso. Num ambiente onde cada frase é medida como movimento no xadrez político, Tarcísio sabe que acenar para a base bolsonarista e ao mesmo tempo mostrar firmeza contra o governo federal pode render frutos — e não só em São Paulo.

Palanque e olho em 2026

O AgroFórum acabou funcionando como uma espécie de palanque informal para nomes fortes da oposição. Além de Tarcísio, estavam presentes Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Ratinho Junior (PSD-PR) e Eduardo Leite (PSD-RS). Todos, de uma forma ou de outra, miraram críticas no governo Lula, cada um calibrando seu tom conforme a plateia, que era formada principalmente por empresários e investidores.

Analistas já tratam esse encontro como um marco inicial na montagem do cenário para as eleições de 2026. Embora ainda falte muito tempo — e muitos acordos de bastidores —, é evidente que esses governadores estão medindo espaço e força política.

Tarcísio, por exemplo, ainda não disse se vai disputar a reeleição em São Paulo ou se vai se arriscar numa candidatura presidencial. Mas sua postura recente o recoloca no centro da disputa pelo apoio do eleitorado de direita, especialmente os órfãos do bolsonarismo puro. Nesse mesmo território político, também circulam Ratinho Junior e Eduardo Leite, o que indica que a briga pelo protagonismo será intensa.

O clima é de prévia eleitoral disfarçada

Se alguém ainda tinha dúvida de que 2026 já começou nos bastidores, o AgroFórum tratou de acabar com ela. As falas, as indiretas (e diretas), e a forma como cada um se posicionou, mostram que não se trata apenas de opiniões soltas. É ensaio de campanha.

Enquanto isso, a troca de acusações entre governo federal e oposição tende a se intensificar. Gleisi segue firme no papel de escudo político de Lula, sempre pronta para rebater ataques. Já Tarcísio, com seu tom cada vez mais assertivo, parece determinado a ocupar um espaço maior no debate nacional.

No fim, para o eleitor comum, o efeito imediato é assistir a esse jogo de palavras e posicionamentos que, por mais que pareçam distantes da vida real, acabam moldando o cenário político que vai bater à porta daqui a pouco mais de um ano. Afinal, na política brasileira, a eleição nunca começa oficialmente… mas a campanha, ah, essa nunca para.



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