Na manhã desta quarta-feira (13), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a protagonizar declarações polêmicas. Em tom firme, ele criticou duramente o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após a decisão do governo norte-americano de cancelar os vistos de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Lula, essa atitude seria “um mau exemplo para a humanidade” e fere a diplomacia internacional.
A polêmica começou no mês passado, quando a Casa Branca anunciou a revogação de vistos, atingindo diretamente o ministro Alexandre de Moraes — nome que, por si só, já desperta paixões e controvérsias no cenário político brasileiro. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, foi além e avisou que a medida também se estenderia aos aliados de Moraes dentro do STF, além de familiares próximos.
— Isso não é postura de um presidente da República, principalmente da maior potência econômica do planeta. É um péssimo exemplo para o mundo inteiro — disparou Lula, em referência direta a Trump, sem poupar palavras.
Não foi só um recado diplomático; Lula chegou a classificar o comportamento do ex-presidente americano como “inexplicável e totalmente inaceitável”, deixando claro que não pretende adotar um tom conciliador nessa disputa.
Enquanto o clima político esquentava, o governo dos EUA tratou de jogar mais lenha na fogueira. Foi anunciada uma nova leva de cancelamentos de vistos, dessa vez atingindo “vários membros” do governo brasileiro. Entre os nomes, estão Mozart Julio Tabosa Sales, que atualmente ocupa o cargo de secretário de Atenção Especializada à Saúde no Ministério da Saúde, e Alberto Kleiman, ex-assessor de Relações Internacionais da pasta e ex-diretor de Relações Externas da Opas (Organização Pan-Americana da Saúde).
O motivo para essa nova onda de retaliações? O já conhecido programa Mais Médicos, criado no Brasil em 2013 e que, na época, trouxe centenas de médicos cubanos para atuar em regiões carentes do país. Vale lembrar que a participação desses profissionais sempre foi alvo de críticas de setores mais alinhados a Washington, que viam na iniciativa uma aproximação perigosa com Havana.
O curioso é que, enquanto aqui no Brasil a pauta do momento gira em torno do aumento no preço da gasolina e do calor sufocante que não dá trégua, nos bastidores da política externa, as relações entre Brasília e Washington parecem estar entrando numa fase de gelo fino — e não é só por causa de Moraes ou do Mais Médicos. Existe um clima de tensão crescente, agravado pela troca de farpas públicas e por medidas que, no mundo diplomático, soam como bofetadas de luva de pelica.
Analistas internacionais já apontam que esse tipo de embate pode ter reflexos nas negociações comerciais e até nas alianças estratégicas que o Brasil tenta consolidar no cenário global. Por outro lado, há quem diga que Lula, acostumado a embates políticos internos, vê nesse tipo de conflito externo uma oportunidade de se posicionar como defensor da soberania nacional.
A verdade é que, para o cidadão comum, esse jogo de xadrez diplomático pode parecer distante, quase irrelevante. Mas basta lembrar que relações estremecidas entre países impactam desde acordos bilaterais até investimentos estrangeiros — e, no fim das contas, quem paga a conta é sempre o povo.
O episódio reforça um ponto: a política internacional, assim como o clima brasileiro em agosto, pode mudar de um dia pro outro. E, pelo jeito, a troca de calor entre Lula e Trump ainda vai render muito assunto nos próximos capítulos.