Vídeo: Alexandre de Moraes encontra influencer e faz piada: “Me defender nos EUA”

Na manhã desta quarta-feira, dia 13, o Supremo Tribunal Federal abriu as portas para um público pouco comum nos corredores de mármore da Corte: 26 influenciadores digitais, de diferentes estilos e áreas, foram convidados a conhecer de perto como funciona o STF e, de quebra, participar de um bate-papo com ministros. A ideia, segundo os organizadores, é simples — e ousada: usar a força das redes sociais para aproximar o Judiciário da sociedade, especialmente num momento em que discussões sobre liberdade de expressão, fake news e polarização estão fervendo no país.

O encontro recebeu o nome de “Leis e Likes: O Papel do Judiciário e a Influência Digital”. Uma mistura, digamos assim, entre a formalidade das togas e a espontaneidade dos stories e reels. Entre os presentes estava Mizael Silva, humorista que criou o personagem “Advogado de Alexandre de Moraes” — uma sátira que já circula amplamente no Instagram e no TikTok.

Logo no começo, Moraes e Mizael protagonizaram uma cena que quebrou o clima formal da ocasião. Ao se encontrarem, o ministro disparou, em tom de brincadeira:

— Você tá bem de advogado, estou precisando mesmo… pra me defender nos EUA.

A referência, claro, foi ao recente episódio das sanções impostas pelos Estados Unidos contra autoridades brasileiras, tema que gerou burburinho na imprensa e nas redes. Sem perder o ritmo da piada, Mizael devolveu:

— O visto vai ser renovado.

A plateia riu, e até alguns ministros esboçaram um sorriso, o que, convenhamos, não é tão comum nas sessões televisionadas do Supremo.

O evento, além do momento de humor, tinha um objetivo mais sério: promover um diálogo direto entre o Judiciário e criadores de conteúdo que, somados, falam com milhões de seguidores todos os dias. No cardápio das conversas, assuntos quentes como polarização política, os limites da liberdade de expressão, o uso (e abuso) da inteligência artificial e, claro, o combate à desinformação — tema que Alexandre de Moraes tem tratado como prioridade absoluta em suas decisões e discursos.

Segundo dados divulgados pela própria organização, cada influenciador presente alcança, sozinho, públicos que muitas vezes superam a audiência de grandes veículos de comunicação tradicionais. Essa constatação reforça a estratégia do STF: se quer falar com o cidadão comum, talvez seja mais eficiente aparecer no feed de Instagram do que esperar que ele assista à TV Justiça.

A escolha do nome “Leis e Likes” não foi por acaso. A proposta é reconhecer que, goste-se ou não, a dinâmica das redes sociais já influencia o modo como as pessoas formam opinião sobre temas jurídicos e políticos. E, no Brasil de hoje, onde uma notícia verdadeira e uma fake news podem ganhar a mesma repercussão em minutos, aproximar o Judiciário do ambiente digital é quase questão de sobrevivência institucional.

Outro ponto destacado durante as falas foi o uso da inteligência artificial — que, ironicamente, já está envolvida tanto na produção de conteúdo legítimo quanto na criação de notícias falsas com aparência profissional. Moraes reforçou que o STF está atento a esse fenômeno e que é necessário discutir regras claras para equilibrar liberdade de criação e responsabilidade pelo que é publicado.

A conversa seguiu descontraída, mas não superficial. Influenciadores relataram experiências de ataques virtuais, cancelamentos e até ameaças, enquanto ministros falaram sobre os limites da lei e o papel de cada cidadão na manutenção de um ambiente online saudável. Um dos participantes comentou que, muitas vezes, o problema não é a falta de informação, mas o excesso de versões conflitantes sobre o mesmo fato — algo que confunde e divide a opinião pública.

Ao final, ficou claro que o encontro não pretendia resolver todas as questões — e nem poderia. Mas serviu como um raro momento de aproximação entre mundos que, normalmente, parecem falar línguas diferentes. No corredor, ao sair, um dos influenciadores resumiu a experiência de forma simples: “Foi estranho, mas bom. A gente percebe que eles são gente também”.

Se o objetivo era criar pontes, ao menos por um dia, parece que algumas foram erguidas. Resta saber se, na prática, essas conexões vão resistir ao calor das próximas polêmicas que, inevitavelmente, vão surgir no país do “textão” e do “tweet afiado”.

Confira:



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