O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a disparar críticas contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista ao canal norte-americano Real America’s Voice, o parlamentar chegou a chamar Moraes de “juiz louco”, repetindo um discurso que vem se intensificando nos últimos meses. A informação foi publicada pelo portal Metrópoles, mas rapidamente se espalhou nas redes sociais, onde apoiadores e opositores travaram mais uma briga de narrativas.
Durante a conversa, Eduardo afirmou que Moraes estaria perseguindo seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e argumentou que a prisão domiciliar imposta a ele não passa de um reflexo da tensão política entre Brasil e Estados Unidos. Vale lembrar que o deputado está nos EUA desde fevereiro de 2025, e aproveitou o espaço para exaltar o atual presidente americano, Donald Trump, a quem chamou de “o maior líder de todos os tempos da humanidade”. Uma declaração exagerada, mas que casa com o estilo inflamado dele.
A defesa da anistia
Na mesma entrevista, Eduardo voltou a insistir na necessidade de aprovar o projeto de lei da anistia que hoje tramita no Congresso. Segundo ele, o Brasil vive uma “crise institucional” e a solução seria justamente o perdão para os investigados pelos atos de 8 de janeiro de 2023.
“É preciso aprovar o PL não só para libertar Jair Bolsonaro, mas para deixá-lo retornar ao Brasil e assegurar que a oposição tenha espaço nas eleições de 2026”, declarou. A votação sobre a anistia está marcada para o dia 2 de setembro e, caso avance, o ex-presidente seria um dos maiores beneficiados. Esse tema, inclusive, divide bastante a opinião pública: enquanto uns defendem virar a página, outros consideram um enorme retrocesso.
Relação turbulenta com os EUA
Outro ponto polêmico foi quando Eduardo comentou sobre as tarifas de 50% aplicadas pelo governo Trump sobre exportações brasileiras. Para ele, não se trata de uma questão econômica, mas política. O deputado argumenta que, ao decretar a prisão domiciliar de Bolsonaro logo após essas sanções, Moraes teria “dobrado a aposta contra Trump”.
Eduardo chegou a pedir que os EUA apliquem a chamada Lei Magnitsky contra o ministro do STF, algo que, na prática, significa impor sanções individuais a ele. Também sugeriu que outro magistrado, Flávio Dino, poderia acabar na mira, já que condicionou o cumprimento de normas internacionais à autorização da corte brasileira.
Reflexos econômicos e bancários
Num tom mais voltado para a área financeira, Eduardo alertou que a decisão de Dino pode complicar bastante a vida dos bancos. Isso porque, segundo ele, as instituições vão se ver diante de um dilema: seguir as ordens do STF ou as determinações dos Estados Unidos.
“Eles têm que seguir a Lei Magnitsky, porque, de outra forma, vão quebrar. Nenhum banco sobrevive sem acesso ao maior mercado financeiro do mundo, que está nos EUA”, disse o parlamentar, numa frase que gerou debate até entre analistas do mercado. Afinal, há quem veja exagero nesse raciocínio, embora não se negue que o Brasil dependa fortemente do comércio e das relações internacionais.
O pano de fundo
No fim das contas, o que se observa é a continuidade de um clima de instabilidade política. Eduardo Bolsonaro, de fora do país, tenta manter a narrativa de perseguição contra seu pai, enquanto ao mesmo tempo reforça a imagem de proximidade com Donald Trump, que segue sendo figura central entre a direita global.
Fato é que, às vésperas da votação da anistia, esse tipo de declaração funciona quase como munição para a base bolsonarista. O que ninguém sabe é até que ponto essa retórica inflamada pode surtir efeito prático, seja dentro do Congresso, seja nas urnas em 2026.