Hospital entrega causa da morte de Luis Fernando Verissimo

Morreu neste sábado, 30 de agosto, o escritor e cronista Luis Fernando Verissimo, aos 88 anos. Ele estava internado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, desde o dia 11 de agosto, lutando contra uma pneumonia que acabou se agravando. A informação foi confirmada pelo próprio hospital, em nota oficial divulgada à imprensa.

Segundo o comunicado, a causa da morte foram complicações decorrentes do quadro pulmonar. Verissimo já vinha enfrentando uma série de problemas de saúde nos últimos anos. Desde 2016, vivia com um marca-passo. Em 2020, recebeu o diagnóstico de câncer ósseo. No ano seguinte, sofreu um AVC que comprometeu bastante sua comunicação e o afastou da escrita. Além disso, enfrentava as dificuldades provocadas pelo Parkinson, doença que limita movimentos e afeta a qualidade de vida de quem convive com ela.

Mesmo diante dessas adversidades, Verissimo seguia sendo um nome presente no imaginário dos leitores brasileiros. Filho de Érico Verissimo, outro gigante da literatura nacional, ele se consolidou como um cronista que sabia rir da própria tragédia cotidiana, com uma ironia delicada e, ao mesmo tempo, cortante.

Foram mais de 70 livros publicados e algo em torno de 5,6 milhões de exemplares vendidos — números que, em tempos de redes sociais e leituras rápidas, soam ainda mais impressionantes. Seu talento estava justamente na simplicidade: pegava o trivial, como uma conversa de bar ou um tropeço na calçada, e transformava em texto com aquele humor que parecia conversa de amigo.

Seus leitores mais fiéis costumavam dizer que abrir um livro dele era como sentar para tomar um café e escutar histórias, sempre com uma tirada espirituosa no final. É difícil não lembrar das crônicas que circularam por e-mail nos anos 2000, quando a internet ainda engatinhava e as pessoas repassavam textos dele como se fossem joias raras. Algumas, inclusive, eram falsamente atribuídas ao escritor, mas esse detalhe não diminuiu a devoção popular.

Verissimo começou a carreira em 1966, como revisor no jornal Zero Hora, em Porto Alegre. A trajetória logo tomou corpo: passou a escrever colunas e, em 1973, lançou seu primeiro livro, O Popular. A partir daí, virou presença garantida em grandes veículos como O Globo, O Estado de S. Paulo e, claro, o próprio Zero Hora, onde consolidou sua voz e se tornou uma referência da crônica brasileira.

É impossível falar dele sem destacar o estilo: humor refinado, crítica social disfarçada em piada e um olhar afiado sobre as pequenas hipocrisias do dia a dia. Um texto de Verissimo podia começar leve, falando de futebol ou política, mas sempre terminava com aquele soco elegante que fazia o leitor parar para pensar.

No comunicado oficial, o Hospital Moinhos de Vento ressaltou a importância do escritor:

“Luis Fernando Verissimo é um dos autores mais populares e respeitados da literatura brasileira contemporânea. Publicou mais de 70 livros, vendeu cerca de 5,6 milhões de exemplares e conquistou leitores com crônicas, contos e romances, destacando-se pelo humor refinado e pela capacidade de transformar situações do cotidiano em reflexões inteligentes e bem-humoradas.”

Sua morte acontece em um momento em que o país anda tão carente de vozes que consigam misturar leveza e crítica, sem cair em extremos. Basta ver as discussões nas redes sociais: polarização, raiva, cancelamentos… Verissimo, com seu jeito tranquilo, talvez conseguisse traduzir esse caos em uma crônica engraçada, daquelas que fazem rir e pensar ao mesmo tempo.

O Brasil se despede, portanto, não apenas de um escritor, mas de um contador de histórias que ajudou gerações a olhar o mundo com menos cinismo e mais humor. Um homem que, mesmo com todas as fragilidades da vida, manteve até o fim o título de mestre das palavras simples e inteligentes.



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