Vídeo: Zé Trovão diz sem medo que Moraes é como Hitler: “O homem é um tirano”

Na manhã desta terça-feira, dia 2, o deputado federal Zé Trovão (PL-SC) resolveu mais uma vez levantar polêmica. Durante uma fala incisiva, o parlamentar não economizou críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Chegou ao ponto de compará-lo a Adolf Hitler, declaração que imediatamente repercutiu em Brasília e nas redes sociais. O estopim para tamanha acusação teria sido o caso de “Clezão”, um dos réus presos por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023, que acabou falecendo na prisão.

Segundo Zé Trovão, o episódio representa, de certa forma, um abuso de autoridade. Ele relembrou que o Ministério Público havia solicitado a soltura do homem, em função de problemas graves de saúde. No entanto, a decisão não foi acatada. Para o deputado, essa postura teria sido determinante para a morte do detento. A narrativa, claro, encontrou eco entre apoiadores que já vinham denunciando o que consideram uma suposta perseguição judicial aos envolvidos nas manifestações de janeiro.

As declarações foram feitas durante comentários sobre o depoimento de Eduardo Tagliaferro na Comissão de Segurança Pública do Senado. O ambiente político, que já anda tenso, ficou ainda mais carregado. Para se ter uma ideia, minutos após a fala do deputado, hashtags relacionadas ao ministro e ao próprio Zé Trovão começaram a aparecer entre os assuntos mais comentados no X (antigo Twitter). No Brasil de hoje, parece que uma frase dura é capaz de incendiar debates que se estendem noite adentro.

“Hoje é o fim da ditadura de Alexandre de Moraes”, disparou o parlamentar. Na sequência, completou com tom ainda mais pesado: “Só quem conhece a história de um ditador a fundo pode dizer que Alexandre de Moraes tem a imagem e semelhança de Hitler. Ele assassinou o Clezão quando o Ministério Público mandou que soltasse, por problema de saúde, aquele homem. E ele negou. Estamos falando de um homem que é um tirano e que fez muita maldade com esse deputado aqui”.

O discurso foi recebido de formas bem distintas. Entre os aliados de Trovão, aplaudido como gesto de coragem, quase um grito de resistência contra o que enxergam como autoritarismo judicial. Já para críticos, trata-se de mais um exagero perigoso, que joga gasolina no fogo da polarização política. Inclusive, alguns parlamentares mais moderados lembraram que comparações com figuras históricas como Hitler podem banalizar a gravidade de um período marcado pelo genocídio e pela barbárie.

Vale lembrar que o Brasil ainda vive o impacto das cenas de 8 de janeiro, quando milhares de manifestantes invadiram prédios públicos em Brasília. Desde então, dezenas de pessoas foram presas, muitas delas em situação de prisão preventiva prolongada, o que alimenta discussões sobre a atuação da Justiça. O caso de Clezão, especificamente, virou bandeira para quem aponta falhas no sistema e cobra mais transparência.

Zé Trovão, por sua vez, já não é estranho a controvérsias. Em outras ocasiões, também fez críticas duras ao STF e a ministros da Corte. Sua forma de se comunicar, direta e muitas vezes carregada de emoção, encontra ressonância em parte do eleitorado, mas também atrai adversários que o acusam de irresponsabilidade.

Nos corredores do Congresso, comenta-se que esse tipo de discurso deve continuar a aparecer, especialmente em um momento em que o país se prepara para novas disputas eleitorais. Com a proximidade das eleições municipais de 2024, muitos parlamentares enxergam na retórica inflamável uma forma de manter relevância e visibilidade. E, convenhamos, em tempos de redes sociais, visibilidade é praticamente uma moeda política.

Independentemente da posição de cada um, o episódio expõe, mais uma vez, o quão fraturado está o cenário nacional. De um lado, uma ala que denuncia ditadura togada; de outro, quem defende que sem firmeza do STF, a democracia teria sido colocada em risco. Entre esses extremos, sobra para a população acompanhar um debate que parece nunca ter fim.

No fim das contas, a fala de Zé Trovão entra para o extenso repertório de embates entre Congresso e Supremo, uma novela política que, ao que tudo indica, ainda vai render muitos capítulos.



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