Causa da morte de Angela Ro Ro é divulgada; saiba detalhes

A notícia que pegou muita gente de surpresa nesta segunda-feira (8) foi o falecimento da cantora Angela Ro Ro, ícone da Música Popular Brasileira. Aos 75 anos, a artista morreu em decorrência de complicações causadas por uma infecção bacteriana adquirida dentro do próprio hospital. A informação foi confirmada pelo advogado dela, Carlos Eduardo Lyrio, que tem acompanhado o caso de perto.

Angela estava internada desde junho no Hospital Silvestre, localizado na Zona Sul do Rio de Janeiro, após ter sido diagnosticada com uma infecção pulmonar grave. A situação se agravou rapidamente, levando os médicos a optarem pela intubação e, depois, pela realização de uma traqueostomia, para ajudar na respiração. Foram 21 dias seguidos sob cuidados intensivos, sempre na esperança de uma melhora que, infelizmente, não veio.

Segundo Lyrio, a cantora acabou contraindo a bactéria justamente dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI), o que piorou ainda mais o quadro. “Angela faleceu hoje pela manhã no Hospital Silvestre, onde estava internada por uma infecção contraída no próprio hospital. A sua única companheira de quatro anos está absolutamente consternada com o seu falecimento”, disse ele, bastante emocionado.

Quem acompanhou de perto relata que, nas últimas semanas, a saúde dela teve uma queda drástica. Angela começou a apresentar dificuldades de coordenação motora, falhas na fala e até limitações para se comunicar com as pessoas ao redor. Um detalhe doloroso é que, segundo relatos, ela não estava isolada de outros pacientes, mesmo em situação delicada, e aguardava uma transferência que não chegou a acontecer. Durante um procedimento cirúrgico, sofreu uma parada cardíaca e não resistiu.

Apesar de todo o esforço da equipe médica, foi a presença de pessoas queridas que trouxe um pouco de conforto nos últimos dias. Angela estava sendo acompanhada não apenas pelos profissionais de saúde, mas também pela ex-companheira, Laninha Braga, que fez questão de ficar ao lado dela. Essa relação de cuidado e afeto marcou profundamente os últimos momentos da cantora.

Falar de Angela Ro Ro é inevitavelmente falar de uma das vozes mais marcantes da MPB. Com seu timbre rouco, carregado de emoção, ela construiu uma carreira sólida e cheia de momentos memoráveis. Nos anos 1980, em plena efervescência cultural brasileira, Angela conquistou o público com canções que se tornaram clássicos, como “Amor, Meu Grande Amor”, “Compasso”, “Tola Foi Você”, “Gota de Sangue” e “Só Nos Resta Viver”. Cada música dela parecia carregar um pedaço de sua vida, com letras intensas e interpretações sempre muito viscerais.

O Brasil perdeu não apenas uma cantora, mas também uma personalidade irreverente. Angela nunca teve medo de se posicionar, fosse em entrevistas, fosse nos palcos. Ao longo da vida, ela falou abertamente sobre amor, dores, política, preconceito e, claro, sobre música. Muitos lembram dela não só pela voz potente, mas também pelas respostas afiadas e por um jeito espontâneo que não se encaixava em rótulos fáceis.

Num momento em que o país ainda chora outras perdas recentes da música — como a despedida de Rita Lee no ano passado —, a morte de Angela reacende a sensação de que uma geração inteira de artistas que moldaram a identidade da MPB vai, pouco a pouco, se despedindo. Para os fãs, fica um vazio difícil de explicar.

Por outro lado, fica também um legado gigantesco. As canções de Angela Ro Ro continuam a ecoar em rádios, playlists de streaming e até mesmo em novelas, onde tantas vezes serviram de trilha sonora para histórias de amor e desencontros. Para quem viveu os anos 80 e 90, ouvir sua voz é quase como voltar no tempo, relembrando festas, encontros e até paixões mal resolvidas.

A despedida é dolorosa, mas inevitável. E, como ela mesma cantava em um de seus maiores sucessos, “só nos resta viver”. Talvez seja esse o recado que Angela deixa agora: que a vida, apesar de suas dores e perdas, continua. E que sua música seguirá, atravessando gerações e mantendo viva a lembrança de uma artista que nunca foi comum.



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