Alexandre de Moraes e Luiz Fux trocam farpas durante julgamento de Bolsonaro

Na sessão desta terça-feira, dia 9, o Supremo Tribunal Federal voltou a se debruçar sobre um dos processos mais comentados dos últimos meses: o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete acusados de estarem por trás de uma suposta tentativa de golpe de Estado. Até aí, nada de novo, já que esse caso vem arrastando manchetes. Mas o que chamou mesmo a atenção não foi apenas o conteúdo jurídico, mas o clima meio tenso — e até com pitadas de ironia — entre alguns ministros.

Tudo começou quando Alexandre de Moraes, relator do processo, já estava há mais de duas horas lendo seu parecer. Ele falava firme, com aquele estilo que já virou marca registrada, quando o ministro Flávio Dino resolveu pedir um aparte. Dino, sempre com aquele jeito meio espirituoso, soltou em tom de brincadeira que Moraes “precisava tomar uma água” antes de continuar. A plateia se dividiu: teve quem riu, teve quem torceu o nariz. No STF, até piada vira questão de ordem.

Foi aí que Luiz Fux entrou em cena. Ele lembrou, em tom sério, que havia um acordo prévio para que os votos não fossem interrompidos. Segundo ele, isso ajudaria a manter a clareza dos argumentos, sem desvios. Afinal, num julgamento desse tamanho, qualquer detalhe pode virar munição política ou virar meme no dia seguinte.

Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma e ainda novato no tribunal, tentou apaziguar os ânimos. Disse que a interrupção tinha sido autorizada pelo relator, ou seja, pelo próprio Moraes. “Nesse caso houve autorização do relator”, justificou Zanin, quase como quem diz: “gente, calma, não é pra tanto”.

Moraes, então, reforçou que costumava conceder apartes com naturalidade. Para ele, dar espaço a colegas é parte do processo. Já Fux se manteve firme: no voto dele, não abre espaço para intervenções, porque isso quebra a linha de raciocínio. “O voto é muito extenso e a gente perde o fio da meada”, reclamou. Quem já assistiu uma sessão do STF sabe: esses votos podem durar mais que uma série inteira da Netflix.

Moraes não deixou barato. Lembrou que o pedido de fala havia sido feito diretamente a ele, não a Fux. “Esse aparte foi pedido a mim, não a Vossa Excelência”, respondeu de maneira seca, quase como quem dá uma cortada elegante. E a plateia jurídica, que acompanhava tudo, percebeu a troca de farpas ali, disfarçada em formalidades.

No fim, quem colocou um ponto final na situação foi o próprio Dino. Ele encerrou o episódio com uma ironia fina: “Eu não pedirei a palavra para Vossa Excelência. Pode dormir em paz.” A frase arrancou risos discretos e virou a cereja do bolo da discussão. Quem acompanha a política brasileira já sabe: essas pequenas frases, aparentemente banais, acabam circulando mais do que os próprios votos.

O episódio mostra como o STF, apesar do peso das decisões, também é palco de vaidades, disputas de estilo e até momentos de humor involuntário. Não deixa de ser um reflexo do próprio Brasil: sério e caótico ao mesmo tempo, com espaço tanto para tensão institucional quanto para piadas que viralizam nas redes sociais.

Vale lembrar que tudo isso acontece num contexto em que o tribunal enfrenta enorme pressão. De um lado, apoiadores de Bolsonaro que ainda contestam a narrativa do golpe. Do outro, setores da sociedade que cobram respostas firmes contra qualquer tentativa de ruptura democrática. Enquanto isso, os ministros equilibram formalidade, vaidade e até bom humor em meio a sessões que, muitas vezes, parecem novelas de tribunal transmitidas ao vivo.

No fim das contas, o julgamento continua, mas a cena desta terça-feira já entrou para a galeria de momentos pitorescos do STF. Entre pareceres técnicos, ironias e pequenas disputas de ego, fica a sensação de que a corte não é feita apenas de livros de direito, mas também de personalidades fortes — e, claro, de frases que ficam ecoando no noticiário do dia seguinte.



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