Homem choca a todos por estar vivo após receber transplante de rim de porco

Um homem de 67 anos, que recebeu um rim de porco geneticamente modificado lá em janeiro deste ano, segue vivo e, surpreendentemente, com saúde estável. Parece até roteiro de filme futurista, mas não é: trata-se do caso do norte-americano Tim Andrews, que hoje já pode ser considerado um marco dentro da medicina. Até agora, ninguém tinha sobrevivido tanto tempo com um órgão suíno funcionando dentro do corpo humano.

Tim sofria de doença renal terminal e vivia preso a sessões de diálise, aquela rotina desgastante de horas ligadas à máquina. Foram mais de dois anos assim até que surgiu a chance inesperada: ser um dos três pacientes escolhidos pelo Hospital Geral de Massachusetts, nos Estados Unidos, para participar de um procedimento experimental chamado xenotransplante. O rim usado veio da empresa de biotecnologia eGenesis, que vem desenvolvendo suínos geneticamente modificados justamente para esse tipo de cirurgia. Oito meses depois da operação, Andrews não precisa mais de diálise e consegue levar uma vida bem mais leve.

Esse período inicial, de seis meses após o transplante, costuma ser o mais crítico. É quando o corpo tem maior chance de rejeitar o novo órgão, podendo causar anemia, inflamações ou até falência do rim. No caso de Tim, os médicos acompanham de perto cada sinal do organismo, mas até agora os resultados são animadores.

Vale lembrar que o recorde anterior de sobrevivência pertencia a Towana Looney, também americana, que em 2023 viveu pouco mais de quatro meses com um rim suíno. Infelizmente, ela precisou retirar o órgão por conta de uma rejeição grave. Ou seja, o feito de Andrews mostra um avanço real nessa área que, durante décadas, parecia quase ficção científica.

E afinal, como funciona esse tal de xenotransplante? Bom, o rim de porco não é colocado no corpo humano do jeito que veio da natureza. Antes disso, ele passa por um processo de edição genética: os cientistas eliminam três antígenos que poderiam provocar rejeição imediata, adicionam sete genes humanos para reduzir inflamações e complicações de sangramento e ainda desativam retrovírus escondidos no DNA suíno. Tudo isso para que o órgão se torne “compatível” com o corpo humano.

Historicamente, os primeiros testes com órgãos de animais aconteceram entre as décadas de 1960 e 1990. Só que naquela época, o máximo que um paciente sobrevivia com um coração ou rim animal era dois meses, muitas vezes apenas alguns minutos. Comparando com isso, o caso de Andrews é quase revolucionário.

E as novidades não param por aí. Nesta semana, mais precisamente na segunda-feira (08/09), a FDA — que é a agência reguladora de medicamentos e alimentos nos EUA — deu sinal verde para que a empresa eGenesis avance e realize testes clínicos em até 33 pacientes com mais de 50 anos e doença renal avançada. A ideia é avaliar a segurança e a eficácia dos rins de porco geneticamente modificados em um estudo de fase 1/2/3, que vai monitorar os pacientes por 24 semanas.

Esse movimento pode abrir uma nova era para os transplantes. Hoje, só no Brasil, milhares de pessoas esperam na fila por um rim compatível. Nos EUA, a realidade não é diferente: há listas enormes e pacientes que muitas vezes não resistem até a chegada de um órgão humano. Se os xenotransplantes se provarem viáveis e seguros, o impacto será gigantesco — menos mortes nas filas de espera e mais qualidade de vida para quem enfrenta doenças renais.

Claro, ainda existem dúvidas éticas, religiosas e até de biossegurança. Afinal, usar partes de animais em humanos levanta debates antigos. Mas, diante da escassez de órgãos e da evolução da ciência, muitos especialistas veem essa como uma das soluções mais promissoras do futuro próximo.

No fim das contas, a história de Tim Andrews é quase um símbolo de esperança. Ele não apenas sobreviveu ao que parecia impossível, como abriu caminho para que centenas ou até milhares de pacientes possam ter uma segunda chance.



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