O clima político no Brasil voltou a esquentar nesta terça-feira (9), quando o desembargador aposentado Sebastião Coelho resolveu usar suas redes sociais para disparar críticas pesadas contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O motivo é a ação penal que pode levar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à prisão, um assunto que já vinha movimentando Brasília e agora ganhou mais um capítulo de tensão.
Segundo Coelho, o julgamento não passa de uma encenação. Em tom duro, ele afirmou que em nenhuma democracia do mundo seria permitido que um juiz julgasse o seu próprio inimigo declarado. Na visão dele, Alexandre de Moraes, que tem sido relator de diversos processos contra aliados de Bolsonaro e agora contra o próprio ex-presidente, não poderia conduzir esse caso. “No Brasil, Alexandre de Moraes, inimigo declarado de Bolsonaro, vota pela sua condenação!”, escreveu o desembargador em uma de suas postagens.
A fala não parou por aí. Ele classificou o julgamento como uma “farsa” e uma “vergonha nacional”, além de convocar a população a reagir de maneira firme caso a condenação de Bolsonaro se confirme. “Isso é farsa! Isso é vergonha nacional! O povo já mostrou que não aceita esse julgamento. Se essa condenação vier, a resposta tem que ser clara: paralisação nacional!”, declarou Coelho, defendendo uma espécie de greve geral ou mobilização massiva em protesto contra o STF.
A expectativa em torno do julgamento é enorme. Muita gente já dá como certa a condenação de Bolsonaro, justamente porque a Primeira Turma do STF, que analisa o caso, é formada por ministros que historicamente têm votado em sintonia com o relator Alexandre de Moraes. Até o momento, tanto ele quanto o ministro Flávio Dino já registraram votos favoráveis à condenação. A única possibilidade de divergência apontada por analistas é o voto do ministro Luiz Fux, que deverá se manifestar nesta quarta-feira (10), a partir das 9h da manhã.
Em nenhuma democracia do mundo o juiz julga o seu inimigo. Mas no Brasil, Alexandre de Moraes, inimigo declarado de Bolsonaro, votar pela sua condenação!
— Sebastião Coelho (@sebasticoelho) September 9, 2025
Isso é farsa! Isso é vergonha nacional! O povo já mostrou que não aceita esse julgamento. Se essa condenação vier, a resposta… pic.twitter.com/MNZawFLnD5
Esse tipo de julgamento, que mexe com figuras centrais da política nacional, costuma gerar repercussões para além dos tribunais. Não é apenas uma questão jurídica, mas também política, social e até eleitoral. O Brasil ainda vive um cenário de polarização intensa, e qualquer decisão envolvendo Bolsonaro tem potencial de inflamar tanto seus apoiadores quanto seus opositores. Basta lembrar das manifestações que tomaram conta do país em 2021 e 2022, sempre com forte presença de bolsonaristas nas ruas.
O discurso de Sebastião Coelho, ainda que polêmico, ecoa dentro de uma parcela significativa da sociedade que acredita haver perseguição política contra Bolsonaro. De outro lado, críticos apontam que declarações como as dele apenas aumentam a desconfiança nas instituições e alimentam um clima de instabilidade que não ajuda em nada o país a avançar em pautas importantes, como a economia e a geração de empregos.
No Congresso, parlamentares bolsonaristas também já começaram a se manifestar contra o andamento do julgamento. Nas redes sociais, hashtags em defesa de Bolsonaro e contra o STF apareceram entre os assuntos mais comentados do dia, mostrando que o tema não fica restrito aos meios jurídicos, mas se espalha rapidamente pela opinião pública.
Enquanto isso, os ministros do Supremo seguem o rito normal, como se estivessem imunes à pressão externa. Mas não dá pra negar que todos sabem do peso político desse caso. Se a condenação for confirmada, será um marco histórico: nunca antes um ex-presidente brasileiro havia sido julgado e eventualmente condenado nessas circunstâncias.
Amanhã, com o voto de Luiz Fux, a expectativa é de que a novela ganhe novos capítulos. Seja qual for o resultado, o julgamento já se consolidou como um dos momentos mais tensos da relação entre o STF e Bolsonaro. E, pelo que tudo indica, ainda vai render muito debate, seja nas redes, nos jornais ou nas rodas de conversa pelo país afora.