Nos últimos dias, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil resolveu subir o tom contra o Supremo Tribunal Federal e, de forma bem direta, mirou no ministro Alexandre de Moraes. Em um comunicado divulgado publicamente, o órgão diplomático chamou Moraes de “descontrolado”, expressão que já rodou pelas redes sociais e gerou todo tipo de debate. O texto, assinado em nome do vice-secretário de Estado, Christopher Landau, acusa o magistrado de estar atrapalhando as relações entre Brasil e EUA, que segundo eles, vinham sendo cultivadas há mais de duzentos anos.
A publicação não economizou nas palavras. Em um dos trechos mais duros, a embaixada escreveu que os Estados Unidos “esperam que o Brasil contenha o descontrolado ministro do STF antes que ele destrua completamente a relação entre nossos grandes países”. É raro ver uma diplomacia usar um tom tão agressivo. Normalmente esses comunicados vêm cheios de formalidades, mas dessa vez foi direto ao ponto, sem filtro.
Além da crítica pessoal, o comunicado ainda afirma que Moraes é um “violador de direitos humanos”, já sancionado, e que estaria dobrando a aposta em sua postura de usar o Judiciário para perseguir uma agenda política. Segundo eles, em vez de buscar soluções para a crise atual, o Brasil estaria permitindo esse suposto abuso se expandir. E o recado final veio quase como ameaça: “Os Estados Unidos não permitirão que Moraes estenda seu regime de censura ao nosso território”.
O texto foi publicado na conta oficial da embaixada no X, antigo Twitter, e em poucas horas já havia viralizado. A reação foi imediata: alguns usuários celebraram o posicionamento norte-americano, enquanto outros criticaram a ingerência dos EUA em assuntos internos brasileiros. Na imprensa, os analistas classificaram a declaração como “inusitada” e até “hostil”, algo fora do padrão diplomático que geralmente busca esfriar crises, não aumentá-las.
Vale lembrar que esse não é o primeiro embate público. Na semana anterior, a própria embaixada já havia divulgado outra nota assinada por Landau. Nela, o diplomata afirmou: “Os Estados Unidos condenam o uso da lei como arma política. Como advogado, diplomata e amigo do Brasil, me dói ver o ministro Moraes desmantelar o Estado de Direito no país e arrastar as relações entre nossas grandes nações para o ponto mais sombrio em dois séculos”. Ou seja, a crítica já vinha sendo construída em etapas.
Esse clima acontece num contexto ainda mais delicado: a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão, decisão que provocou forte divisão na opinião pública e vem sendo alvo de protestos de apoiadores. O caso repercutiu também no exterior, e não apenas nos Estados Unidos. Mas, em Washington, a reação foi além das palavras. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou recentemente que o Brasil poderá enfrentar novas sanções em breve, embora não tenha detalhado quais seriam elas.
Do ponto de vista político, o episódio abre uma frente complicada para o governo brasileiro. Manter as relações com os EUA sempre foi estratégico, tanto do ponto de vista econômico quanto diplomático. Agora, com esse tipo de declaração, fica claro que a paciência americana com a atuação de Moraes está no limite. O que ainda não está claro é se o Palácio do Planalto vai responder de maneira dura, buscando defender o ministro, ou se optará por um tom mais conciliador, tentando acalmar os ânimos.
No meio disso tudo, a população observa com desconfiança. Muitos brasileiros lembram das várias vezes em que os EUA intervieram, direta ou indiretamente, na política latino-americana. Para alguns, o comunicado soa como mais um capítulo dessa história. Já para outros, representa uma defesa da democracia e da liberdade de expressão, pontos que consideram estar em risco.
O fato é que, em 2025, ver esse tipo de troca de acusações tão explícita entre Brasil e Estados Unidos chama bastante atenção. E se as próximas semanas confirmarem as tais sanções prometidas, a crise pode ganhar proporções ainda maiores.