Saiba quem eram os quatro amigos que perderam a vida de forma brutal por cobrar dívida

Quatro homens que haviam sumido depois de sair de São José do Rio Preto (SP) rumo ao interior do Paraná foram encontrados mortos na noite de quinta-feira, 18 de setembro. Os corpos pertenciam a Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza. Eles estavam desaparecidos desde o dia 4 de agosto, quando viajaram com o objetivo de cobrar uma dívida — uma viagem que, segundo familiares, deveria ser rápida, mas acabou virando tragédia.

O caso vinha chamando atenção desde o início, especialmente nas redes sociais da região, onde moradores cobravam respostas das autoridades. Conforme explicou o delegado Tiago Andrade Inácio, da Polícia Civil do Paraná, equipes de investigação realizaram escavações perto do local onde a caminhonete do grupo havia sido encontrada no dia 12 de setembro, em Icaraíma. Os corpos estavam enterrados em meio à vegetação, a cerca de 500 metros do ponto onde o veículo foi abandonado.

Os principais suspeitos

A polícia aponta como suspeitos Antonio Buscariollo, de 66 anos, e o filho dele, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22. Ambos estão foragidos. Até o momento, não houve retorno da defesa da dupla, apesar das tentativas de contato da imprensa. A investigação trabalha com a hipótese de que o crime tenha sido planejado, já que a cobrança da dívida envolvia valores consideráveis.

Esse tipo de caso vem ganhando repercussão também porque o Paraná já registrou, em 2024 e 2025, outros episódios de violência ligados a conflitos por dinheiro, terras e negócios mal resolvidos. A sensação de insegurança em cidades pequenas, onde muitos acreditam que “todo mundo se conhece”, tem preocupado moradores.

Quem eram as vítimas

As histórias das quatro vítimas ajudam a entender melhor a gravidade da situação.

  • Rafael Juliano Marascalchi, morador de São José do Rio Preto, era casado, pai e até avô. Tinha uma vida relativamente estável: possuía imóveis — como uma chácara, um barracão e uma casa para aluguel — que lhe garantiam renda. Além disso, fazia serviços de cobrança de dívidas para terceiros, algo comum em cidades menores, onde nem sempre as pessoas recorrem a empresas oficiais para resolver esse tipo de problema. Foi justamente esse trabalho que o levou ao Paraná.
  • Robishley Hirnani de Oliveira, amigo próximo de Rafael, também aceitou entrar nessa viagem. Pai de duas crianças — uma menina de sete anos e um bebê de apenas oito meses —, ele já tinha trabalhado com Rafael antes. A confiança na amizade e a perspectiva de ajudar no acerto da dívida pesaram na sua decisão de ir junto.
  • Diego Henrique Afonso, morador de Olímpia (SP), também embarcou nessa missão. Segundo conhecidos, era uma pessoa de convívio fácil e aceitou integrar o grupo sem imaginar que a jornada teria um fim tão violento.
  • Alencar Gonçalves de Souza, por sua vez, foi quem contratou os três para que ajudassem na cobrança. Segundo familiares, tinha forte ligação com eles e nunca havia desaparecido antes. Essa acabou sendo a primeira e, infelizmente, a última viagem dele dessa natureza.

O clima após a descoberta

Com a confirmação das mortes, o clima em Rio Preto e nas cidades vizinhas ficou de luto e revolta. Familiares usaram redes sociais para lamentar a perda, pedir justiça e criticar a demora nas investigações. Não foram poucos os comentários de moradores que disseram sentir medo de que “coisas assim estão virando rotina no Brasil”, em meio ao aumento da criminalidade e à falta de segurança até em áreas rurais.

As buscas pelos suspeitos continuam. A Polícia Civil do Paraná conta com apoio de equipes de São Paulo e até da Polícia Rodoviária, já que há chance de fuga para outros estados. Até agora, não há previsão de quando ou se Antonio e Paulo Ricardo serão localizados.

O caso ainda deve render novos desdobramentos, mas já entra para a lista das tragédias recentes que escancaram como cobranças de dívidas, que poderiam ser resolvidas por meios legais, acabam se transformando em crimes brutais.



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