Trump surpreende após declarar que abraçou Lula e que irão conversar na próxima semana

Nova York e Brasília – O clima nos bastidores da Assembleia Geral da ONU, nesta semana, acabou rendendo uma cena que poucos esperavam ver: Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, e Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil, trocando um abraço rápido e até risadas discretas no corredor. Segundo o próprio Trump contou em seu discurso, os dois se prometeram um encontro “na semana que vem” para tratar diretamente das tarifas que Washington vem aplicando contra produtos brasileiros.

O detalhe curioso é que esse gesto de aproximação aconteceu logo depois do discurso de Lula, marcado por fortes críticas ao que chamou de “ataques sem precedentes” às instituições democráticas brasileiras. O petista não citou nomes, mas o alvo era claro: o governo Trump, que havia anunciado novas sanções ao Brasil como retaliação após a condenação de Jair Bolsonaro (PL), seu aliado de longa data.

No improviso e sorridente, Trump disparou a frase que virou manchete: “eu gosto do Lula, e só faço negócios com gente de quem eu gosto”. A plateia riu, e o ex-reality showman mostrou mais uma vez aquele estilo meio performático que mistura política e espetáculo.

Ele narrou o encontro em detalhes: “Eu estava entrando e encontrei o líder do Brasil. Nós nos abraçamos, e as pessoas ficaram dizendo: dá pra acreditar nisso? Tivemos uns 20 segundos de conversa, bem rápido, mas com muita química. Marcamos para a próxima semana. Foi um bom sinal.”

Trump ainda completou, no jeitão dele: “Ele parece um homem agradável, eu gosto dele e ele gosta de mim. Quando eu não gosto de alguém, eu não negocio. Mas nesses 30 segundos tivemos uma química excelente”.

O episódio virou o ponto alto da fala do republicano. Porém, antes de distribuir sorrisos, Trump havia disparado duras críticas contra o sistema judicial brasileiro, acusando o país de “armar a justiça, perseguir críticos políticos e censurar opiniões”. Para ele, isso justificaria as tarifas impostas recentemente. Foi aí que a tensão diplomática com Brasília ganhou ainda mais corpo.

No conteúdo dos discursos, cada um puxou a corda para seu lado. Trump, em tom de campanha – já que nos EUA a corrida presidencial de 2026 esquenta a cada semana –, destacou que encerrou “sete guerras sem ajuda da ONU” e chegou a sugerir que merecia o Nobel da Paz. Também aproveitou para criticar a própria ONU, acusando a instituição de “criar mais problemas do que resolver”. A imigração foi o alvo principal: “a ONU está financiando um ataque às fronteiras ocidentais”, disse.

Já Lula adotou uma postura de defesa da soberania nacional. Falou contra “sanções arbitrárias”, deixou claro que democracia e soberania são “inegociáveis” e citou exemplos recentes de como o Brasil sofre pressões externas. Seu discurso foi bem recebido por parte da plateia, especialmente por países em desenvolvimento que veem nas medidas dos EUA uma forma de dominação econômica.

No fim das contas, o abraço de corredor e a promessa de reunião podem até parecer um detalhe, mas carregam simbolismos importantes. Trump mostrou disposição para negociar, ao mesmo tempo em que manteve o tom agressivo contra instituições brasileiras. Lula, por sua vez, saiu fortalecido por aparecer lado a lado com um líder que, goste-se ou não, dita muito do debate global.

Vale lembrar que nos últimos meses, a relação entre Brasil e EUA tinha ficado bem azeda, principalmente depois da condenação de Bolsonaro e das tarifas pesadas impostas. Esse encontro abre uma brecha para algum diálogo, mas não elimina a desconfiança.

Seja como for, em tempos de polarização mundial, onde cada gesto vira um post nas redes sociais em segundos, a cena dos dois líderes rindo juntos já correu o planeta. No X (antigo Twitter), memes surgiram comparando o abraço a um episódio de novela, enquanto analistas políticos se dividem entre otimismo e ceticismo.

Uma coisa é certa: se a conversa da semana que vem realmente acontecer, pode sair daí tanto uma reaproximação econômica quanto mais faísca diplomática. No meio disso tudo, fica a impressão de que a política internacional anda mais parecida com uma temporada de série da Netflix do que com aqueles manuais sérios de relações exteriores.



Recomendamos