Nos bastidores da política nacional, a movimentação já começou a ganhar força e não é de hoje. O ex-presidente Jair Bolsonaro teria dado sinal verde para que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), entre na disputa presidencial com o apoio direto dele. A articulação não aconteceu da noite pro dia: foi costurada junto aos caciques do Progressistas (PP) e do União Brasil, partidos que andam com um olho no futuro e outro na popularidade que ainda orbita em torno do bolsonarismo.
A grande questão agora é o famoso “quando”. A decisão existe, mas a data certa para anunciar é motivo de divergência. Tem gente defendendo que o anúncio fique para dezembro ou até janeiro, sob a lógica de que assim Tarcísio escaparia da crítica mais óbvia: a de estar usando o governo paulista apenas como trampolim para o Planalto. É aquele velho discurso que já vimos em outras épocas — basta lembrar da época em que José Serra era acusado da mesma coisa.
Mas, como todo mundo que acompanha a política brasileira sabe, Bolsonaro não é exatamente o tipo previsível. Aliás, se existe uma palavra que define sua trajetória é justamente “imprevisibilidade”. Muita gente dentro do próprio grupo reconhece que, no fim das contas, é ele quem vai bater o martelo sobre o calendário.
O encontro entre Tarcísio e Bolsonaro já está no radar e deve acontecer na próxima semana. Inclusive, a visita já tem janela marcada: 29 de setembro, entre 9h e 18h. É quase um evento aguardado, porque pode selar de vez a entrada de Tarcísio na corrida presidencial de 2026.
Enquanto esse movimento de bastidores avança, a orientação para o governador é manter o discurso de que disputará a reeleição em São Paulo. Uma estratégia conhecida: segurar a narrativa oficial enquanto o jogo real se desenrola por trás das cortinas. Quem acompanha sabe que, em política, “negar até a morte” é parte do processo. A própria imprensa já viu esse filme várias vezes, basta lembrar como Lula, Dilma e até Alckmin em outras ocasiões fizeram o mesmo teatro.
A situação, no entanto, é mais delicada do que parece. Se Tarcísio demorar demais a assumir que será candidato, corre o risco de parecer que está apenas seguindo ordens de Bolsonaro e não caminhando com as próprias pernas. Por outro lado, se anunciar cedo demais, vira alvo imediato de adversários e pode ser acusado de abandonar São Paulo — e a população paulista não costuma engolir bem esse tipo de movimento.
É bom lembrar que Tarcísio vem construindo uma imagem de gestor técnico, aquele “cara que faz as coisas andarem” e não apenas mais um político de carreira. Tem investido em obras de infraestrutura, concessões e tentado vender a ideia de eficiência administrativa. Essa imagem pode ser tanto um trunfo quanto um risco. No Brasil de 2025, onde a paciência do eleitor anda curta, qualquer tropeço vira combustível para as redes sociais, que funcionam como tribunal 24 horas por dia.
Outro detalhe é que o cenário político está cada vez mais dinâmico. O governo Lula enfrenta críticas com a economia e os atritos no Congresso, o que abre espaço para uma candidatura de oposição com mais peso. Mas a pergunta que circula nos corredores de Brasília é: será que Tarcísio tem a mesma força de mobilização popular que Bolsonaro teve em 2018? Ainda é cedo para dizer, mas a aposta dos aliados é que, com o apoio declarado do ex-presidente, ele consiga herdar parte desse capital político.
Em resumo, o que temos até agora é um jogo de xadrez. Bolsonaro já deu o aval, Tarcísio se prepara, os partidos aliados se movimentam, e a data do anúncio segue sendo a peça-chave. Até lá, o governador continuará repetindo que concorrerá à reeleição, mas, nos bastidores, todos sabem que a corrida ao Planalto já começou.