Vereadora gera polêmica ao expor porque Bolsonaro fugiu para os EUA: “Viciado”

A vereadora e também jurista Janaina Paschoal, hoje filiada ao Progressistas de São Paulo, voltou a falar sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro e a polêmica que ronda os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023, data em que os prédios dos Três Poderes foram invadidos em Brasília. Para ela, Bolsonaro não pode ser responsabilizado criminalmente pelo episódio, mas existe sim uma carga de responsabilidade moral e política que não pode ser ignorada. A fala foi feita durante entrevista ao programa Pleno Time, do portal Pleno.News, na última quarta-feira (24).

Segundo Janaina, o grande erro do ex-presidente foi se deixar levar pela dinâmica das redes sociais. Ela chegou a dizer que Bolsonaro ficou “viciado em likes”, e que isso teria atrapalhado a sua postura de liderança. Em outras palavras, em vez de orientar os apoiadores acampados em frente aos quartéis a voltarem para casa, ele preferiu manter a aprovação fácil e imediata que vinha dos aplausos virtuais e das manifestações de rua.

“Ele poderia ter pedido para aquelas pessoas irem pra casa. Ele tinha poder e legitimidade pra isso, mas acabou ficando preso nesse vício de like, nessa necessidade de aplausos”, disse a vereadora.

Janaina também apontou que, caso Bolsonaro tivesse tomado a iniciativa de encerrar os atos e dispersar a militância, haveria sim um desgaste. “Se ele pedisse para o povo ir embora, certamente teria resistência, muita gente ia se decepcionar. Então ele deixou como estava. Mas daí dizer que ele quis dar um golpe, isso pra mim não faz sentido”, comentou.

Ela reforçou a ideia de que há uma diferença clara entre a responsabilidade criminal e a responsabilidade moral. Na visão dela, o comportamento do ex-presidente não configura crime, mas não deixa de demonstrar omissão. “Ele fugiu para os Estados Unidos, ele não fez a transição normal de poder, nem passou a faixa. Isso pesa, politicamente falando. Mas do ponto de vista jurídico, não há como condená-lo por golpe”, concluiu.

O comentário de Janaina dialoga diretamente com o clima político atual. Bolsonaro segue respondendo a uma série de processos e investigações, enquanto o Supremo Tribunal Federal ainda analisa os papéis desempenhados por figuras ligadas ao seu governo. Vale lembrar que a cena dos ataques de 8 de janeiro ainda repercute no mundo todo: imagens dos prédios depredados correram os jornais internacionais, comparando o Brasil ao ataque ao Capitólio nos Estados Unidos em 2021.

A própria fala de Janaina também revela um ponto curioso: a crítica ao uso excessivo das redes sociais. Não é segredo que Bolsonaro, tanto na presidência quanto após deixar o cargo, manteve forte presença digital, especialmente em plataformas como X (antigo Twitter), Facebook e, claro, as famosas lives semanais. Esse comportamento, que muitos chamam de “bolsonarismo digital”, reforça a tese de que a busca por engajamento acabou se sobrepondo ao dever institucional.

Outro detalhe importante é que Janaina não se coloca como inimiga declarada do ex-presidente. Embora reconheça sua responsabilidade moral, ela não embarca no discurso de que houve um plano de golpe arquitetado. Para a vereadora, a situação foi mais resultado de omissão, vaidade e até certo medo de perder apoio popular, do que de uma conspiração organizada.

Esse tipo de análise tem dividido opiniões. De um lado, quem critica Bolsonaro afirma que a ausência de ação já seria suficiente para configurar conivência. Do outro, há quem veja as falas de Janaina como um respiro, um contraponto à narrativa de que tudo foi planejado de cima para baixo.

No fundo, a declaração da vereadora reflete o momento de tensão política vivido no Brasil em 2025. Ainda se discutem as responsabilidades pelos eventos de dois anos atrás, enquanto o governo atual enfrenta seus próprios dilemas, como a crise econômica e os atritos constantes entre Executivo e Judiciário. Em meio a isso, Janaina Paschoal tenta equilibrar sua imagem de jurista rigorosa com a de política que fala sem rodeios, mesmo correndo o risco de desagradar diferentes lados.



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