Uma notícia triste abalou o mundo do esporte nesta semana. A corredora etíope Shewarge Alene, de apenas 30 anos, acabou falecendo depois de sofrer um colapso durante um treino em Addis Abeba, capital da Etiópia. Segundo relatos da imprensa local, ela chegou a ser levada para um hospital, mas infelizmente não resistiu. A quarta-feira, dia 24, ficou marcada por esse episódio que ninguém esperava, especialmente porque a atleta estava em plena forma e vinha de grandes conquistas na temporada.
Para quem acompanha o atletismo internacional, o nome de Alene não era estranho. Em maio deste ano, ela havia brilhado ao vencer a Maratona de Estocolmo 2025, um dos eventos mais tradicionais do calendário europeu. Foi justamente a organização da prova sueca que emitiu um comunicado emocionado nas redes sociais, lamentando a morte repentina. O texto dizia algo como: “É com profundo pesar que recebemos a notícia do desaparecimento de Shewarge Alene, vencedora da Maratona de Estocolmo 2025. Nossos pensamentos estão com sua família e entes queridos.” O post rapidamente foi compartilhado por fãs, colegas de corrida e até atletas de outras modalidades.
A carreira de Shewarge foi marcada por conquistas consistentes. Em 27 provas disputadas como profissional, ela venceu 12 vezes, um aproveitamento impressionante para quem competia em nível tão alto. De acordo com o jornal inglês The Sun, o melhor tempo de sua trajetória aconteceu em janeiro deste ano, quando completou a Maratona Tata Mumbai em 2h29min34s, marca que a colocou entre as corredoras mais rápidas da temporada. Para quem entende do assunto, ficar abaixo de 2h30 é um feito que demonstra disciplina, treino pesado e uma capacidade física de elite.
Outro detalhe que chama atenção é que, apesar de ser etíope, Alene estava morando no México nos últimos tempos. A mudança fazia parte de sua rotina de treinamentos e também de oportunidades em provas na América Latina. Ela havia retornado à Etiópia para visitar familiares e, ao mesmo tempo, aproveitar a altitude de Addis Abeba — bastante procurada por corredores justamente para melhorar o condicionamento físico. Infelizmente, foi durante essa fase de treinos que a tragédia aconteceu.
O resultado mais expressivo da corredora foi realmente o título em Estocolmo. Naquela ocasião, ela completou os 42 km em 2h30min38s, tempo quase idêntico ao de Mumbai, mas suficiente para garantir o lugar mais alto do pódio. Quem acompanha maratonas sabe que nem sempre o que vale é o cronômetro: estratégia de corrida, adaptação ao clima e até mesmo a cabeça do atleta no dia fazem toda a diferença. E Alene demonstrou frieza e talento ao superar rivais fortes, inclusive quenianas, que dominam boa parte das provas internacionais.
O falecimento de Shewarge Alene abre espaço para uma reflexão mais ampla sobre os riscos e limites do corpo humano em esportes de alto rendimento. O atletismo, especialmente nas provas de longa distância, exige um preparo físico intenso, mas também cobra caro do organismo. Não é raro vermos casos de desmaios, colapsos e até mortes em treinos ou competições. Claro que a medicina esportiva avançou muito, mas infelizmente situações assim ainda acontecem, lembrando que os atletas são seres humanos antes de serem campeões.
A comoção foi grande não apenas entre fãs, mas também dentro do próprio circuito de corridas. Vários atletas se manifestaram nas redes sociais, incluindo brasileiros que correm provas internacionais. Alguns lembraram que há pouco mais de um mês, em setembro, a própria Confederação Brasileira de Atletismo fez campanhas sobre prevenção e cuidados médicos no esporte, após episódios de mal-estar em provas de rua no Rio de Janeiro. Isso mostra que o tema está vivo e precisa continuar sendo discutido.
No fim das contas, Shewarge Alene será lembrada não apenas pelos títulos, mas pela dedicação e pelo carisma que carregava. Em tempos em que o esporte de alto nível está cada vez mais exigente, a história dela também serve como alerta para todos: é preciso valorizar cada vitória, mas também respeitar os limites do corpo. Uma perda dessas nunca é fácil de digerir, e o atletismo mundial certamente fica mais pobre sem a presença dela nas pistas.