Cloudflare remove site da empresa da esposa de Moraes do ar

A empresa de segurança digital Cloudflare decidiu nesta quinta-feira (25) retirar do ar o site barcidemoraes.com.br, que pertence ao escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, comandado por Viviane Barci, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A ação não foi um movimento isolado da companhia, mas consequência direta das sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos no âmbito da chamada Lei Magnitsky, usada em casos de corrupção e violações de direitos humanos.

Para quem não acompanha muito esse tipo de assunto, vale lembrar que a Cloudflare não é apenas uma empresa qualquer. Ela é uma gigante americana da área de tecnologia, responsável por dar suporte de segurança, hospedagem e proteção contra ataques virtuais para milhares de sites no mundo todo. Quando Washington decide apertar o cerco, empresas como a Cloudflare não têm muita opção: cumprem as regras, senão ficam em situação complicada.

Segundo o Departamento do Tesouro dos EUA, a decisão de incluir o escritório de Viviane Barci na lista de bloqueios se baseia em uma regra conhecida como “50 Percent Rule”. Em termos simples, essa norma diz que qualquer organização ou empresa onde pessoas sancionadas detenham 50% ou mais de participação já é automaticamente considerada bloqueada, mesmo que o nome da instituição não apareça de forma direta na lista oficial de sanções.

No caso em questão, Viviane Barci foi pessoalmente sancionada e, como detém participação majoritária no escritório de advocacia, o site foi retirado do ar sem que fosse necessário incluir o nome da sociedade na relação do Tesouro. É como se fosse um efeito cascata: se o dono está na lista negra, o negócio dele entra junto.

O episódio ainda tem desdobramentos curiosos. Outro exemplo é o Instituto Lex, onde Viviane possui apenas 25% das cotas. Os outros 75% pertencem aos filhos de Alexandre de Moraes. Diferente do escritório de advocacia, o instituto foi listado de forma nominal pelo governo americano. Essa decisão levanta uma nova questão: será que os herdeiros do ministro também podem ser alvo de sanções no futuro? Autoridades dos EUA ainda estão avaliando essa possibilidade, o que pode criar um clima de tensão ainda maior na relação diplomática.

Esse caso ganhou grande repercussão, especialmente porque Alexandre de Moraes é uma das figuras mais influentes do Judiciário brasileiro. Qualquer movimento envolvendo sua família acaba inevitavelmente caindo no noticiário, e não só no Brasil. O episódio repercutiu em portais internacionais e colocou mais lenha na fogueira do debate sobre até onde vão as consequências das medidas norte-americanas contra pessoas ligadas a autoridades estrangeiras.

Vale lembrar que a Lei Magnitsky, que deu base para essa decisão, já foi aplicada em diversos países contra empresários, políticos e até mesmo membros de governos inteiros acusados de práticas ilícitas. Em 2024, por exemplo, houve sanções contra oligarcas russos ligados ao conflito na Ucrânia. Agora, o foco se volta a figuras brasileiras, o que mostra que os Estados Unidos estão ampliando o alcance desse tipo de medida.

A retirada do site também gerou comentários nas redes sociais. Alguns usuários ironizaram dizendo que “até na internet o ministro perdeu espaço”, enquanto outros criticaram a decisão por enxergar nela um reflexo da polarização política atual. Num momento em que eleições municipais e até a visita recente de Donald Trump ao Brasil chamaram atenção, qualquer notícia envolvendo figuras de peso ganha contornos ainda maiores.

No fim das contas, o episódio do bloqueio do site Barci de Moraes é mais um capítulo de uma história que ainda deve render muito. Não apenas pelo impacto direto sobre a família de um dos ministros mais poderosos do STF, mas também porque expõe a força de decisões tomadas fora do país e que acabam afetando diretamente o cenário brasileiro.

Seja como for, o caso deixa claro que, no mundo conectado de hoje, a fronteira entre política, justiça e tecnologia está cada vez mais borrada. E quando o assunto envolve internet e tribunais, não tem como escapar: sempre vira manchete.



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