Considerado anistiado, Lula recebe aposentadoria de R$ 12,5 mil do INSS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebe mensalmente uma aposentadoria de anistiado no valor de R$ 12,5 mil. A informação foi confirmada pela própria Secretaria de Comunicação da Presidência (Secom) e acabou vindo à tona após uma reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta terça-feira (30). O detalhe curioso é que o assunto voltou aos holofotes por causa de uma tentativa de fraude contra o benefício, registrada no ano passado.

Essa aposentadoria de Lula não é novidade, mas poucos sabem exatamente de onde surgiu. O benefício foi concedido após decisão da Comissão Especial de Anistia e homologado pelo então ministro do Trabalho, Walter Barelli, lá em 19 de abril de 1993. O despacho foi publicado no Diário Oficial da União no dia seguinte, reconhecendo oficialmente o petista como anistiado político.

A partir dessa decisão, Lula pôde solicitar a aposentadoria na condição de anistiado, e o pedido foi deferido administrativamente, com data retroativa a 5 de outubro de 1988 — data simbólica, já que é a promulgação da Constituição Federal. Houve até questionamento em 2009, levantado pelo deputado estadual Eliseu Gabriel da Silva Júnior, mas na época o Ministério Público Federal (MPF) avaliou que não havia ilegalidade na concessão.

A história da fraude

O que trouxe o tema de volta foi uma tentativa de golpe. Segundo apuração de O Globo, um estelionatário tentou transferir a aposentadoria de Lula para uma conta bancária no Pará. A movimentação, entretanto, foi detectada antes de causar prejuízo. O caso só veio à tona porque documentos enviados à CPMI do INSS mostraram que a própria autarquia havia comunicado a Polícia Federal sobre o episódio em março de 2023.

De acordo com as investigações, o perfil de Lula no sistema Meu INSS chegou a ser acessado de forma remota, o que disparou alertas de segurança internos. O criminoso solicitou que o pagamento, normalmente creditado em uma agência de São Bernardo do Campo (SP), fosse redirecionado para uma conta aberta em nome de um homem chamado Francisco Cardoso, residente no Pará.

Cardoso, por sua vez, nega qualquer envolvimento. Em entrevista ao mesmo jornal, explicou que é deficiente visual, também recebe benefício do INSS e que uma conta teria sido aberta em seu nome sem o devido consentimento. Ele chegou a prestar depoimento à Polícia Federal por videoconferência e se defendeu de forma até simples:
— Como sou deficiente visual e já recebo meu benefício, pra que eu ia me meter numa coisa dessas? — disse.

O MPF investigou, mas concluiu que não havia provas suficientes para identificar o autor real da fraude. O parecer destacou que o pedido foi feito por meio eletrônico, sem rastreamento do IP, o que dificultou a apuração. Além disso, não houve prejuízo financeiro, já que a transferência foi bloqueada a tempo. Por conta disso, o processo acabou arquivado pela Justiça.

O caso chama atenção não apenas por envolver o presidente da República, mas também porque expõe falhas de segurança em sistemas públicos de grande alcance, como o Meu INSS, usado por milhões de brasileiros diariamente. Nos últimos meses, inclusive, o governo vem sendo pressionado a reforçar os protocolos digitais, especialmente após outros episódios de golpes envolvendo aposentadorias e auxílios.

O episódio também reforça uma discussão que voltou à tona recentemente no Congresso: a necessidade de investimentos em segurança cibernética para evitar fraudes em benefícios sociais. Com a crescente digitalização dos serviços, especialistas alertam que situações semelhantes podem se tornar mais frequentes se não houver atenção redobrada.

No fim das contas, o caso Lula não passou de uma tentativa frustrada de fraude, mas serviu de alerta. Para muitos, inclusive, é simbólico que até mesmo o presidente, figura pública de enorme visibilidade, tenha sido alvo de um golpe que poderia atingir qualquer cidadão comum.



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