O ator Flávio Migliaccio, figura tão presente na memória afetiva da televisão brasileira, foi encontrado morto no dia 4 de maio de 2020, aos 85 anos, em seu sítio localizado em Rio Bonito, interior do Rio de Janeiro. A notícia, na época, chocou colegas de profissão, fãs e boa parte do público que acompanhou sua longa trajetória na TV.
Pouco depois do ocorrido, o colunista Alessandro Lo-Bianco chegou a exibir, no programa A Tarde É Sua, uma suposta carta deixada por Flávio. O bilhete, escrito com caneta vermelha, trazia palavras duras, reflexivas e até mesmo doloridas sobre a vida, o país e a humanidade.
De acordo com o documento, o ator parecia cansado, decepcionado e descrente em relação ao futuro. Num dos trechos mais fortes, ele teria escrito:
“Me desculpem, mas não deu mais. A velhice neste país é o caos, como tudo aqui. A humanidade não deu certo. Eu tive a impressão que foram 85 anos jogados fora… Num país como este. E com esse tipo de gente que acabei encontrando. Cuidem das crianças de hoje”.
Essas palavras ecoaram de maneira pesada, ainda mais em 2020, um ano marcado não apenas pela pandemia da Covid-19, mas também por uma série de crises políticas e sociais que só reforçavam o tom de desilusão expresso pelo ator.
O filho de Flávio, Marcelo Migliaccio, falou em entrevista à Veja Rio sobre as últimas conversas que teve com o pai. Ele relatou que Flávio já demonstrava sinais de cansaço e decepção com o rumo do mundo, descrevendo a sensação de impotência diante do que chamou de “avalanche fascista” que se espalhava pelo planeta.
Em uma dessas conversas, Marcelo ouviu do pai: “O mundo está um lixo”. Pouco tempo depois, Flávio também confessou suas limitações físicas: problemas de audição, visão comprometida, memória falhando. “Daqui pra frente só vai piorar. Já vivi demais. Oitenta e cinco anos. Chega”, teria dito.
A morte do ator, além de triste, levantou debates sobre saúde mental, envelhecimento e a forma como o Brasil trata seus idosos, tema que segue atual em 2023, especialmente num país onde tantas pessoas acima dos 60 anos enfrentam abandono e descaso.
Mas a história não parou por aí. Três anos depois, em 8 de maio de 2023, a médium Arminda Guedes Braz divulgou ao portal O Espiritualista uma suposta carta psicografada de Flávio Migliaccio. O texto, segundo ela, teria sido ditado pelo ator já do “outro plano”.
Na mensagem, o tom era bem diferente daquele bilhete encontrado em 2020. Flávio, agora em paz, teria declarado que seu propósito era levar esperança e reflexão aos fãs:
“O propósito dessa carta é compartilhar um pouco da luz que vem de Deus, bem como os conhecimentos que adquiri no plano em que me encontro. O objetivo é iluminar aqueles que ainda estão na escuridão”.
Em trechos mais emocionantes, o ator descreve um reencontro espiritual com sua mãe, que teria ido recebê-lo após sua partida. “Já desconectado da vida terrena, lembro de uma senhora adentrando o quarto, era minha mãe”, diz a carta. Ele recorda momentos simples da infância — bolos, café, carinhos — e relata que o medo simplesmente desapareceu diante do sorriso materno.
Por fim, a mensagem psicografada encerra com um tom de serenidade, garantindo que ele estaria em paz e reforçando a importância de cultivar o bem e a fé em Deus.
Entre a dor real de sua partida e a esperança que essa suposta carta trouxe, o caso de Flávio Migliaccio ainda provoca reflexões profundas sobre a vida, o envelhecer e a forma como lidamos com nossas próprias fragilidades. Um retrato duro, mas também humano, de alguém que marcou gerações inteiras com seu talento e simplicidade.