O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta segunda-feira (13) que o ex-presidente Jair Bolsonaro receba atendimento médico em casa. A decisão veio depois que os advogados do ex-chefe do Executivo afirmaram que ele apresentou piora nas crises de soluços nas últimas horas — um problema que, segundo relatos, vem se repetindo com certa frequência nos últimos meses.
Bolsonaro, que desde agosto está em prisão domiciliar, teria relatado um agravamento no quadro, o que motivou o pedido urgente à Corte. Moraes, que é relator do caso, acatou parcialmente o pedido da defesa e liberou o atendimento médico domiciliar. A médica indicada pela equipe jurídica, Marina Grazziotin Pasolini, foi autorizada a realizar os cuidados necessários sem precisar de autorização prévia do STF, algo que antes era exigido em situações desse tipo.
Além disso, Moraes determinou que, caso haja necessidade de atendimento hospitalar de urgência, Bolsonaro poderá ser levado imediatamente ao hospital — desde que a defesa envie a comprovação do atendimento em até 24 horas. É uma flexibilização que sinaliza, de certa forma, um reconhecimento do estado de saúde delicado do ex-presidente, embora a medida não altere em nada o regime de prisão que ele cumpre.
Vale lembrar que não é a primeira vez que Bolsonaro apresenta problemas desse tipo. No mês passado, ele foi internado no Hospital DF Star, em Brasília, após sentir mal-estar, episódios de pré-síncope (quando a pessoa quase desmaia), vômitos e queda de pressão arterial. A internação durou pouco, mas reforçou a preocupação em torno do seu quadro clínico. Desde o atentado em Juiz de Fora, lá em 2018, Bolsonaro passou por várias cirurgias e mantém uma rotina médica relativamente intensa, o que também contribui para essas complicações.
Prisão e o inquérito
Desde o dia 4 de agosto deste ano, o ex-presidente cumpre prisão domiciliar por determinação do próprio ministro Moraes. A decisão faz parte de um inquérito polêmico que apura uma suposta articulação entre Bolsonaro, seu filho Eduardo Bolsonaro (deputado federal pelo PL-SP), e membros do antigo governo de Donald Trump, nos Estados Unidos.
De acordo com as investigações, eles teriam atuado em medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do Supremo, incluindo pedidos para o cancelamento de vistos e até a aplicação da chamada Lei Magnitsky, uma legislação americana que prevê sanções a pessoas acusadas de violar direitos humanos.
O caso ganhou força nas últimas semanas, especialmente após a Primeira Turma do STF condenar Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão na ação penal que trata da suposta trama golpista. A decisão provocou reações diversas no meio político: apoiadores do ex-presidente falam em perseguição, enquanto críticos afirmam que a Justiça apenas está cumprindo seu papel.
Enquanto isso, Bolsonaro segue em sua casa, sob vigilância eletrônica e com restrições impostas pela Justiça. O ex-presidente, que ainda mantém forte influência entre seus apoiadores e dentro do Partido Liberal, tem usado as redes sociais com moderação, geralmente para publicar mensagens curtas e religiosas, ou notas de agradecimento a aliados.
Nos bastidores, comenta-se que a saúde fragilizada de Bolsonaro pode adiar qualquer movimento político mais firme. Mas, conhecendo seu estilo combativo e o histórico de retornos improváveis, ninguém arrisca cravar que ele esteja fora do jogo.
Por enquanto, o foco da defesa é garantir que ele receba tratamento adequado e tentar, aos poucos, melhorar as condições do cumprimento da pena. O cenário é de tensão — não só jurídica, mas também política — e promete novos capítulos nos próximos meses, ainda mais com o clima de pré-campanha já esquentando em Brasília.