Nos últimos dias, o nome de Sandro Rocha voltou a circular forte nas redes sociais depois de um vídeo que deu o que falar. O ator, conhecido pelo papel de Major Rocha em “Tropa de Elite”, precisou esclarecer um mal-entendido envolvendo o também ator Wagner Moura, intérprete do icônico Capitão Nascimento. Tudo começou por causa de uma lista aparentemente inofensiva — mas que acabou gerando debate entre os fãs de cinema brasileiro.
Wagner Moura, durante uma entrevista, indicou três filmes nacionais que, segundo ele, todo mundo deveria assistir: “Bye Bye Brasil”, “Terra Estrangeira” e “Vidas Secas”. Até aí, nada demais. O problema é que, pra muitos, faltaram títulos que marcaram época — especialmente “Tropa de Elite” e “Cidade de Deus”, dois marcos do nosso cinema contemporâneo. Foi então que Sandro Rocha resolveu se manifestar, postando um vídeo em seu Instagram nesta terça-feira (14/10).
“Não teve crítica, teve marcar posição”, explicou o ator, negando qualquer desentendimento com Moura. “Falar em cinema e não tocar em Tropa de Elite e Cidade de Deus… você tá querendo apagar a memória da população. Eles já fazem isso em tantas outras áreas, e nessa eu não posso deixar passar batido”, disse, num tom firme, mas sem agressividade.
Vale lembrar que Sandro não é um novato nesse tipo de discussão. Ele sempre foi conhecido por falar o que pensa, doa a quem doer. Mesmo assim, fez questão de deixar claro que não tem nada pessoal contra Wagner Moura: “Respeito o trabalho dele, sempre respeitei. Mas acredito que tem certos filmes que não dá pra ignorar”.

O vídeo de Rocha rapidamente viralizou. Muita gente concordou com ele, dizendo que “Tropa de Elite” e “Cidade de Deus” são filmes que retratam de forma crua e intensa uma parte do Brasil que nem todo mundo quer ver — e que por isso mesmo merecem ser lembrados. Outros, por outro lado, defenderam Moura, afirmando que a lista dele era apenas uma escolha pessoal e não um “apagamento histórico”.
No vídeo original, Sandro disse ainda: “Faltou Cidade de Deus, clássico e antológico, e Tropa de Elite I e II. Jamais deixem que esses três filmes sejam esquecidos. Eu sei que querem apagar a realidade por ideologia, mas nós ainda estamos aqui”. A fala rendeu debate, especialmente entre cinéfilos e críticos que apontaram que o cinema brasileiro é muito mais diverso do que apenas as produções policiais ou de denúncia social.
Pra quem não lembra, Sandro Rocha tem 51 anos e construiu sua carreira com muito suor. Antes de ganhar destaque nas telas, trabalhou de tudo um pouco — chegou até a vestir a fantasia do Ronald McDonald e vender fotocópias pra sobreviver. A fama veio mesmo com o papel em Tropa de Elite e sua sequência, O Inimigo Agora É Outro, onde interpretou o policial corrupto Edivan Rocha.
Depois disso, o ator participou de várias produções de TV, como “O Rei do Gado” (lá em 1996), “A Diarista”, “Vidas em Jogo”, e também esteve em “Os Dez Mandamentos”, da Record, em 2015. Hoje, além de atuar, Sandro também se aventura nas redes sociais, comentando política, cultura e os bastidores da profissão.
A confusão com Wagner Moura mostra, mais uma vez, como o cinema brasileiro desperta paixões e opiniões fortes. Afinal, cada geração tem seus filmes marcantes — e, goste ou não, Tropa de Elite e Cidade de Deus continuam sendo parte viva da nossa cultura.
Como o próprio Sandro resumiu: “O cinema é memória. Se a gente não defende o que é nosso, quem vai defender?”.