Em meio à sua prisão domiciliar, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) resolveu fazer um pedido especial ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele quer autorização pra comemorar os 15 anos da filha, Laura Firmo Bolsonaro, em casa, no dia 18 de outubro. Segundo o pedido, seria um almoço “de caráter estritamente familiar e restrito”, algo simples, só pra celebrar o aniversário da debutante.
Os advogados de Bolsonaro alegam que o encontro não vai ter nada de grandioso — apenas alguns amigos próximos da família e da aniversariante. O documento cita nomes como o da madrinha da menina, Rosimary Cardoso Cordeiro, e da senadora Damares Alves, além de integrantes de um grupo de oração que costuma frequentar a casa.
No pedido, a defesa apresentou uma pequena lista com seis pessoas de convívio próximo, sem incluir os adolescentes que são amigos de Laura. “A lista acima não inclui os amigos da aniversariante, todos menores de idade, que igualmente participarão do encontro”, diz o texto.

Além disso, os advogados pedem autorização pra que Pablo Agustin Fernandez Tabeira, amigo antigo da família e morador de São Paulo, possa visitar e se hospedar por uns dias — entre 17 e 19 de outubro de 2025. Segundo eles, essa visita é algo recorrente, já que Pablo costuma ficar na casa em outras ocasiões parecidas.
Visita médica e estado de saúde
Outro ponto que tem chamado atenção é o estado de saúde de Bolsonaro. Recentemente, Moraes liberou a entrada da médica Marina Grazziotin Pasolini na casa do ex-presidente, depois que ele teve um agravamento dos episódios de soluço que vem enfrentando há algum tempo.
Desde que está em prisão domiciliar — medida decretada em 4 de agosto — Bolsonaro tem recebido cuidados médicos dentro de casa. Moraes destacou que os profissionais da saúde podem entrar na residência sem aviso prévio ao STF, mas determinou que qualquer internação deve ser comunicada ao tribunal em até 24 horas, com documentação que comprove a necessidade.
Segundo a defesa, Bolsonaro tem apresentado “agravamento de episódios persistentes de soluços”, o que motivou o pedido de urgência pra nova avaliação médica. Esse sintoma, que já o incomoda há anos, voltou a ganhar força, e até os apoiadores mais próximos demonstraram preocupação.
Prisão domiciliar mantida
Mesmo com esses pedidos e alegações, o ministro Alexandre de Moraes negou novamente o pedido pra revogar a prisão domiciliar do ex-presidente e outras medidas cautelares.
A solicitação da defesa foi feita em 23 de setembro, logo depois de a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar uma denúncia relacionada aos ataques à democracia que teriam sido articulados por Eduardo Bolsonaro (PL-SP). O detalhe é que Jair Bolsonaro não foi incluído na denúncia, o que levou seus advogados a pedirem o fim das restrições.
Moraes, no entanto, manteve a decisão anterior. Segundo ele, as medidas ainda são “necessárias e adequadas”, principalmente considerando “a condenação do réu na AP 2668 e os reiterados descumprimentos das medidas cautelares”, conforme destacou a PGR.
Clima político e bastidores
Nos bastidores de Brasília, o assunto gerou comentários. Alguns aliados consideram que o pedido pra celebrar o aniversário da filha é “legítimo e humano”, enquanto críticos apontam que o ex-presidente estaria tentando “testar os limites” das restrições impostas.
Enquanto isso, Bolsonaro segue em casa, afastado da rotina política e das viagens que antes eram quase diárias. O ex-presidente, que ainda mantém grande base de apoiadores nas redes, tenta mostrar uma imagem mais tranquila — e agora, pelo jeito, quer apenas festejar os 15 anos da filha em paz.