Nikolas Ferreira se revolta, rasga fantasia de patriota e chama Brasil de “Bostil”

Nos últimos anos, o Brasil viu surgir um tipo de “patriotismo” curioso, meio performático, que se expressa com bandeiras nas costas, hinos cantados aos berros e discursos inflamados sobre amor à pátria. Só que, por trás de tanta encenação, muita gente já percebeu que esse patriotismo de palco não passa de uma grande contradição. A claque bolsonarista, como ficou conhecida, sempre se apresentou como defensora do país, da moral e da fé cristã. Mas basta um pequeno deslize, um momento de raiva ou frustração, pra máscara cair.

E foi exatamente o que aconteceu com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Figura carimbada nas redes sociais, ele é conhecido pelos discursos exaltados e pelo jeito provocador, sempre tentando se colocar como a voz dos “bons patriotas” e da “família brasileira”. Só que, dessa vez, o próprio Nikolas deixou escapar algo que desmonta toda essa imagem cuidadosamente construída.

O episódio aconteceu depois que a Justiça tomou uma decisão favorável ao ex-deputado José Dirceu (PT-SP), no processo do chamado “mensalão”, aquele escândalo político que marcou os anos 2000 e até hoje é lembrado nas discussões sobre corrupção. A reação de Nikolas foi imediata: ele correu pras redes sociais, como costuma fazer, pra desabafar. E o que ele escreveu acabou viralizando — mas não da forma que ele esperava.

Indignado com o resultado, o deputado soltou a seguinte frase: “O Bostil é intancável mesmo. Já era.” Em tradução livre e mais educada, o parlamentar basicamente chamou o Brasil de “lixo” e declarou que o país não tem mais salvação.

A ironia disso tudo é evidente. O mesmo político que vive gritando “Brasil acima de tudo” e se apresenta como exemplo de amor à pátria, no momento em que algo não sai do jeito que ele quer, descarrega o ódio contra o próprio país. É aquele velho ditado: quando a maré tá boa, todo mundo é patriota; mas basta o vento virar pra mostrar quem realmente acredita naquilo que prega.

O mais curioso é que essa não é a primeira vez que figuras do bolsonarismo deixam escapar esse tipo de contradição. A turma que se diz defensora dos valores cristãos, da honestidade e da pátria muitas vezes age movida mais pela raiva do adversário do que por amor ao Brasil. É um patriotismo de ocasião, que só existe quando serve pra atacar alguém ou levantar bandeira em época de eleição.

Nas redes, o comentário de Nikolas virou motivo de piada e crítica. Muita gente lembrou que o deputado é o mesmo que costuma vestir a camisa da Seleção e posar com a bandeira nacional em tudo quanto é evento. “Cadê o amor à pátria agora?”, questionou um internauta. Outros disseram que o verdadeiro patriota é aquele que reconhece os problemas do país, mas trabalha pra melhorar, e não quem o chama de “Bostil” quando está de mau humor.

No fundo, esse episódio mostra algo que vai além da figura de Nikolas Ferreira. Ele representa um sintoma de parte da política atual, onde as palavras valem mais que os atos e o discurso é moldado pra gerar engajamento — não pra construir nada concreto. O patriotismo virou um produto, uma espécie de performance de rede social, cheia de frases de efeito, emojis e vídeos com trilha sonora dramática.

Enquanto isso, o Brasil real — aquele que pega ônibus lotado, enfrenta fila em hospital e tenta pagar as contas — segue sendo usado como pano de fundo pra esse teatro ideológico.

No fim das contas, o que ficou claro é que amar o Brasil não é vestir verde e amarelo quando convém. É respeitar o país, mesmo quando as decisões não agradam. Nikolas, com seu “Bostil”, só provou o que muitos já sabiam: o falso patriotismo tem prazo de validade. E o dele, ao que tudo indica, venceu.



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