Donald Trump confirma reunião com Lula e diz que pode tomar medida drástica em relação ao tarifaço

A caminho da Malásia, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste sábado, dia 25, que vai se reunir com o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva durante a viagem. Segundo Trump, há uma possibilidade real de reduzir as tarifas aplicadas ao Brasil, que hoje chegam a quase 50%, mas isso dependeria de “certas condições” — que ele, como de costume, preferiu não detalhar.

Essa foi a primeira vez que o republicano admitiu qualquer tipo de concessão ao governo brasileiro, mesmo que de forma cautelosa. Ele apenas reforçou que tudo dependeria de um “entendimento mútuo”, sem entrar em números, prazos ou exigências específicas.

Acredito que vamos nos reunir, sim”, disse Trump a jornalistas ainda a bordo do Air Force One, pouco depois da decolagem. “Sob as circunstâncias certas, seguramente”, completou, deixando claro que a ideia de baixar o “tarifaço” está no radar, mas não é garantia de nada.

O áudio da conversa foi divulgado mais tarde pela Casa Branca, o que acabou dando mais peso às declarações. Durante a entrevista improvisada, Trump chegou a mencionar o rápido encontro que teve com Lula nos bastidores da Assembleia da ONU, em Nova York, no mês passado. Segundo ele, foi uma conversa “respeitosa”, embora sem grandes avanços.

Lula, por sua vez, ainda não comentou diretamente as falas de Trump. No momento da divulgação, ele estava em Kuala Lumpur, onde discursou na residência oficial do primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, com quem também almoçou depois.

Durante o discurso, o presidente brasileiro voltou a defender o diálogo entre países e disse estar aberto a discutir qualquer tema com os Estados Unidos, “sem vetos, sem medo e sem submissão”, nas palavras dele. No entanto, reconheceu que um possível entendimento comercial com Washington exigirá “paciência e muitas rodadas de conversa”.

Nos bastidores do governo brasileiro, a informação é que Lula quer aproveitar a viagem pela Ásia para fortalecer a imagem do Brasil como um ator relevante nas negociações globais, especialmente após a Cúpula do G20, que aconteceu recentemente no Rio de Janeiro.

Os principais pedidos do governo brasileiro continuam os mesmos: o fim das tarifas de 40% sobre produtos brasileiros — impostas por Trump em julho por razões consideradas políticas — e a suspensão das punições a autoridades do país, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal e membros do Executivo.

Diplomatas próximos ao Itamaraty avaliam que o tom adotado por Trump indica uma possível reaproximação, ainda que movida mais por interesses eleitorais do que por real afinidade. Nos Estados Unidos, o cenário político anda quente, com as eleições se aproximando e o ex-presidente tentando reconquistar aliados na América Latina.

Analistas internacionais lembram que a postura de Trump com o Brasil sempre foi oscilante. Em alguns momentos, elogiou Lula pela condução da economia e pela defesa de uma política externa independente; em outros, criticou duramente a aproximação do Brasil com a China.

Se a reunião realmente acontecer, será a primeira entre os dois líderes desde o retorno de Lula ao Planalto. O encontro, ainda sem data oficial, deve ocorrer durante a passagem de Trump pela Ásia, possivelmente em Kuala Lumpur ou em um dos eventos paralelos à cúpula econômica da região.

Enquanto isso, o clima é de expectativa. Assessores da presidência brasileira afirmam que Lula pretende manter o tom diplomático, mas que não abrirá mão das pautas consideradas estratégicas. “Não se trata de agradar ou desafiar Trump”, disse um integrante do governo, “mas de defender o que é justo para o Brasil”.

Nos próximos dias, o tema deve continuar repercutindo tanto em Brasília quanto em Washington. E, como costuma acontecer quando o assunto envolve Donald Trump, ninguém sabe ao certo o que vem pela frente — só que, de algum jeito, vai dar o que falar.



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