Policial de megaoperação toma as redes com indireta para Luciano Huck

Nos últimos dias, a policial militar Munique Busson causou um verdadeiro burburinho nas redes ao criticar a falta de “comoção” diante de um caso que antecedeu a megaoperação policial no Rio de Janeiro, realizada recentemente nos complexos da Maré e da Penha, contra o Comando Vermelho (CV). A agente, que participou diretamente da ação, não poupou palavras ao citar o apresentador Luciano Huck, da TV Globo, e questionar o discurso feito por ele no programa Domingão com Huck.

“Luciano Huck fez um lindo discurso, falando sobre cem vidas perdidas. Mas quantas vidas essas cem vidas de ‘anjinhos’ tiraram antes? Ninguém fala nada. Luciano Huck não fala nada”, disparou Munique durante o programa Pleno Time, nesta quarta-feira (5).

O comentário da policial veio como resposta ao discurso de Huck no último domingo (2), quando o apresentador dedicou os minutos finais de seu programa para falar sobre a operação no Rio. Em um tom emocionado, Huck fez críticas ao modelo de segurança pública adotado no estado e levantou um debate sobre o número de mortes registradas nas ações policiais. O apresentador, que costuma abordar temas sociais em sua atração dominical, questionou se a política de confronto realmente traz resultados duradouros.

Mas a fala não agradou parte dos agentes de segurança. Munique, que viveu de perto os confrontos, rebateu com firmeza e lembrou um episódio pouco mencionado na grande mídia: o assassinato de Marli Macedo dos Santos, de 60 anos. A senhora foi feita refém e acabou morta com um tiro dentro de casa, no Complexo da Pedreira, zona norte do Rio. O crime teria ocorrido quando traficantes do Comando Vermelho tentaram invadir o território dominado pelo Terceiro Comando Puro (TCP) — facções rivais há décadas.

“Uma senhora chamada Marli, uns dias antes da operação, foi executada porque os narcoterroristas invadiram o local numa guerra de facção. Ela se assustou, gritou, e eles mataram a dona Marli. E cadê o Luciano Huck pra falar disso? Cadê a comoção?”, questionou a policial, visivelmente indignada.

Nas redes sociais, o posicionamento de Munique dividiu opiniões. Enquanto muitos internautas elogiaram a coragem da agente em expor o outro lado da história, outros acharam o discurso dela duro e até desrespeitoso com as vítimas das operações policiais. Ainda assim, o tema reacendeu o eterno debate sobre segurança pública, viés político e o papel da mídia na construção das narrativas.

“Isso não entra na minha cabeça”, continuou Munique. “A gente precisa entender que essas narrativas têm um lado só, têm um viés político. A esquerda compra todas essas histórias da minoria pra fazer política. E a gente precisa acordar, parar de polarizar e pensar no bem comum, no cidadão, na sociedade. É isso que tá faltando”, completou.

O desabafo da policial acontece num momento em que o Rio vive mais uma fase tensa, com operações de grande porte sendo criticadas por parte da população e defendidas por outra. O próprio governo estadual tem sido pressionado a apresentar resultados concretos enquanto tenta equilibrar o combate ao crime com o respeito aos direitos humanos.

Enquanto isso, o discurso de Luciano Huck segue repercutindo. O apresentador ainda não respondeu diretamente às críticas de Munique, mas nos bastidores comenta-se que ele deve voltar a tocar no assunto em seu programa, destacando a importância de uma reforma profunda na política de segurança.

De um lado, a indignação de quem arrisca a vida fardado todos os dias. Do outro, a reflexão de quem usa a visibilidade para tentar provocar mudanças. No meio disso tudo, o que parece ficar esquecido é justamente o que ambos dizem defender: a vida das pessoas comuns, as “Marlis” que acabam presas no fogo cruzado de um Rio de Janeiro que ainda busca paz.



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