Ex-deputado petista assassinado já havia perdido dois filhos em circunstâncias trágicas

A vida do ex-deputado estadual Paulo Frateschi, de 75 anos, foi marcada por grandes vitórias políticas, mas também por perdas dolorosas que o acompanharam até seus últimos dias. Antes de morrer de forma trágica nesta quinta-feira (6), ele já havia enfrentado dois dos piores sofrimentos que um pai pode imaginar: a morte de dois filhos, em acidentes de carro, com apenas um ano de diferença entre as tragédias.

Em 2002, seu filho Pedro, de apenas 7 anos, perdeu a vida em um acidente na Rodovia Carvalho Pinto, uma das principais ligações entre São Paulo e o Vale do Paraíba. Um ano depois, em 2003, a dor voltou com força: Júlio, o outro filho, de 16 anos, morreu em um capotamento na Rodovia Rio-Santos, no litoral do Rio de Janeiro. Duas perdas seguidas, cruéis, que abalaram profundamente o coração do ex-deputado, conhecido entre os amigos por sua força e serenidade, mas que carregava nos olhos a sombra dessas lembranças.

Quem conviveu com Frateschi sabe que, apesar de toda a dor, ele nunca deixou de lutar. Militante histórico do Partido dos Trabalhadores (PT), mantinha laços próximos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem era amigo e colaborador de longa data. Atuou firmemente na base do partido, defendendo causas sociais, educação e políticas públicas voltadas à inclusão. Era, como muitos o definiam, um “homem de fé na política”.

Mas, nesta quinta-feira, o destino parece ter sido cruel mais uma vez. Paulo Frateschi foi esfaqueado pelo próprio filho, Francisco, de 34 anos, dentro de casa, na região da Lapa, zona oeste de São Paulo. Segundo informações da Polícia Militar, o agressor teria tido um surto, durante o qual também atacou a mãe. O ex-deputado chegou a ser socorrido às pressas e levado ao Hospital das Clínicas, mas infelizmente não resistiu aos ferimentos.

A notícia da morte causou comoção no meio político e nas redes sociais. Colegas de partido, amigos e até adversários lamentaram a perda de um homem descrito como “leal, firme e profundamente humano”. O próprio PT divulgou uma nota pública em homenagem ao ex-deputado.

“É com profunda tristeza que comunicamos o falecimento do companheiro e dedicado militante do nosso partido. Ele deixa um legado de luta pela justiça e pela inclusão”, diz o texto.

O comunicado ainda expressa solidariedade à esposa, familiares e amigos próximos:

“Sua ausência deixa uma lacuna irreparável entre companheiros de luta. Paulo Frateschi presente hoje e sempre.”

Frateschi deixa para trás uma história intensa, marcada tanto por ideais quanto por tragédias pessoais. Em conversas antigas, ele costumava dizer que “a vida é feita de batalhas e algumas delas a gente perde sem querer”, frase que, hoje, ecoa com ainda mais força.

Nos últimos anos, ele vinha mantendo uma rotina mais reservada, dedicando-se à família e a pequenos projetos sociais. Morava em uma casa simples, em uma rua tranquila da Lapa, e era visto com frequência caminhando pela vizinhança, sempre disposto a conversar.

A tragédia que encerrou sua trajetória levantou debates sobre saúde mental e violência doméstica, temas que ele mesmo já havia discutido em entrevistas anteriores, de forma preocupada. Coincidência ou ironia do destino, um homem que lutou tanto por empatia e cuidado acabou sendo vítima dentro do próprio lar.

Nesta sexta (7), lideranças políticas devem prestar homenagens ao ex-deputado, que deixa um legado de militância, mas também uma história de vida marcada por amor, perdas e humanidade.

Como escreveu um amigo próximo nas redes sociais: “Paulo viveu com coragem, amou com intensidade e partiu do jeito que nunca merecia, mas continuará presente na memória de quem acredita na política como instrumento de mudança.”



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