Propina para presidente do INSS era paga via pizzaria e imobiliária, afirma PF

A mais recente etapa da Operação Sem Desconto, desencadeada pela Polícia Federal em conjunto com a Controladoria-Geral da União, acabou atingindo um andar bem mais alto da cadeia de envolvidos no escândalo dos descontos fraudulentos em benefícios do INSS. Nesta quinta-feira, o ex-presidente da autarquia, Alessandro Stefanutto, acabou preso preventivamente por ordem do ministro André Mendonça, do STF, que é quem está acompanhando o caso. Segundo os investigadores, ele teria recebido até R$ 250 mil por mês em propina dentro do esquema que lesava aposentados e pensionistas — um rombo que, somando tudo, já passa da casa dos bilhões.

Outro nome pesado que caiu no radar da operação foi o ex-ministro do Trabalho e da Previdência no governo Bolsonaro, José Carlos Oliveira, que hoje atende pelo nome Ahmed Mohamad Oliveira, depois da conversão ao islamismo. Ele não foi preso, mas terá de usar tornozeleira eletrônica. No total, a PF cumpriu 63 mandados de busca e apreensão, inclusive contra políticos em exercício, e 10 de prisão preventiva, além de outras medidas que ainda devem render novos desdobramentos.

Stefanutto ficou no comando do INSS entre julho de 2023 e abril de 2024, quando foi exonerado logo após surgirem as primeiras pistas de que o sistema de autorizações de descontos estava cheio de brechas — e não por acaso. O relatório que embasou esta nova fase da operação afirma que ele tinha forte influência dentro da Conafer, uma confederação ligada a agricultores familiares, e recebia propina por meio de empresas de fachada, incluindo uma pizzaria, uma imobiliária e até um escritório de advocacia, que supostamente serviam só para lavar o dinheiro.

Nas mensagens e documentos apreendidos, seu codinome era “Italiano”. Parece até série policial, mas é o que consta. Os pagamentos, segundo a PF, teriam começado ainda em junho de 2023 e seguiram até setembro de 2024. E, conforme os agentes, depois que Stefanutto assumiu a presidência do INSS, o valor mensal da propina saltou de vez, chegando aos R$ 250 mil.

Para os investigadores, Stefanutto funcionava como uma espécie de “porta de entrada” do esquema dentro da autarquia. Antes de chegar ao cargo máximo, ele era procurador do próprio INSS e teria atuado de forma determinante para facilitar a assinatura do acordo com a Conafer lá em 2017. Anos depois, já como presidente, teria ajudado a blindar a continuidade da fraude, garantindo que nada vazasse e que os descontos seguissem corroendo a renda de aposentados — muitos deles só descobriram os prejuízos depois de ver o extrato bancário minguando.

O relatório da PF destaca, inclusive, que sem propina aos gestores de alto escalão, seria impossível manter uma fraude que afetou mais de 600 mil pessoas, provocando uma avalanche de reclamações judiciais e administrativas.

A defesa de Stefanutto, no entanto, afirma que não teve acesso ao teor da decisão que decretou a prisão. A advogada Ana Paula Miranda disse que vai buscar as informações necessárias e que confia totalmente na inocência do cliente. Segundo ela, a prisão é ilegal, já que ele estaria colaborando desde o início da investigação.

Além dele, foram presos o ex-procurador-geral do INSS Virgílio Antônio Ribeiro de Oliveira Filho e sua esposa, Thaisa Hoffmann; o ex-diretor de Benefícios André Paulo Fidelis; Vinícius Ramos da Cruz, presidente do Instituto Terra e Trabalho; e outros envolvidos ligados à Conafer. O famoso “Careca do INSS”, Antônio Carlos Antunes Camilo, também estava na lista, mas já se encontrava preso desde setembro.

No total, o prejuízo do esquema — baseado em descontos associativos não autorizados — chegou a R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024. Dinheiro em espécie, armas, munições e veículos de luxo foram apreendidos em vários estados, incluindo São Paulo, Goiás, Minas e o Distrito Federal.

Para tentar reparar parte do estrago, o governo federal anunciou, ainda em julho, que devolveria os valores descontados de forma indevida. A contestação foi prorrogada até 14 de fevereiro de 2026. Ou seja, quem foi lesado ainda pode correr atrás do prejuízo.

Se quiser, posso fazer uma versão mais jornalística, mais informal, mais curta, mais longa, ou no estilo de algum portal específico.



Recomendamos