Com só 15 anos, Bruninho Samudio já carrega uma história que muita gente grande provavelmente não suportaria. O garoto, que hoje começa a despontar como goleiro do time sub-15 do Botafogo, vem chamando atenção dentro e fora dos campos. Além de brilhar no clube carioca, ele também foi convocado algumas vezes para a Seleção Brasileira sub-15, onde teve papel decisivo na conquista de um título importante — inclusive defendendo um pênalti que virou assunto até nas redes, com torcedor comparando ele a “mini-Alisson”.
Mas antes de os holofotes brilharem para ele, Bruninho passou por uma tragédia que o Brasil inteiro acompanhou em 2010. Ele é filho de Eliza Samudio e do goleiro Bruno, ex-Flamengo, que na época era visto como uma grande promessa do futebol brasileiro. Só que a realidade tomou um rumo cruel: o goleiro se recusava a reconhecer o menino, e quando Bruninho ainda tinha poucos meses de vida, Bruno tirou a vida de Eliza. Um caso que voltou a repercutir recentemente por conta dos debates sobre feminicídio e violência contra a mulher, tema que vive em alta na mídia.
Bruno foi condenado a 22 anos de prisão pelo assassinato, mas cumpriu apenas dez anos no regime fechado — de 2013 até 2023. Hoje vive em regime aberto e joga por um clube da Série D, longe do glamour que um dia ele próprio imaginou ter. O goleiro nunca teve contato com o filho. Quem criou Bruninho desde o início foi a avó materna, Sônia Fátima Moura, que até hoje é a grande fortaleza do jovem atleta. Detalhe importante: o sonho de ver o menino atuando como goleiro era da própria Eliza, que chegou a jogar profissionalmente na posição.
Bruninho e a escolha pela carreira
Agora, Bruninho decidiu levar o futebol ainda mais a sério. Ele se matriculou em uma academia profissional de goleiros, onde vem fazendo treinamentos específicos. “Graças a Deus a carreira tá boa, tô conseguindo ter destaque nas competições pelo Botafogo. No ano passado fui destaque também no Atlético Paranaense, no sub-14”, contou ele à B4nd, visivelmente animado.
O adolescente ainda desabafou: “Jogador não pode ficar parado. Tem que treinar sempre, senão fica pra trás. Quero conquistar muita coisa esse ano, ganhar títulos pelo Botafogo. Se Deus quiser vai ser um ano abençoado”.
Seu primeiro técnico, Kepren Filipe, também celebrou essa nova etapa. Segundo ele, acompanhar Bruninho desde o primeiro treino até agora é “uma alegria enorme”. “É só o começo. A gente fica muito orgulhoso de todo o processo que ele passou até chegar onde tá”, comentou.
A avó do garoto, Sônia Fátima, reforça o orgulho. Ela acompanha tudo de perto, desde o desempenho nos treinos até as conquistas menores do dia a dia. “Eu fico muito feliz com o desenvolvimento dele. Mas nada veio sozinho, teve apoio dos professores, dos treinadores… e principalmente dele. Ele gosta de treinar, tem foco. Tomara que daqui uns dois anos ele esteja no profissional do Botafogo, quem sabe até indo pra Seleção”.
Uma homenagem que emocionou
Dias atrás, Bruninho apareceu ao lado da avó em frente a um painel com uma grande foto de Eliza. O stand fazia parte de uma exposição em homenagem às mulheres vítimas de feminicídio. A imagem rodou pela internet e comoveu muita gente.
Ao compartilhar o momento, Sônia deixou um pedido forte: “Que a memória de todas as vítimas de violência que tiveram suas vidas ceifadas seja preservada. Que suas histórias não sejam apagadas”.


O desabafo que repercutiu
Em outra ocasião recente, a avó de Bruninho chamou atenção ao comentar uma frase que viralizou nas redes: “Antes Elize Matsunaga do que Eliza Samudio”. A comparação surgiu do fato de que, enquanto Eliza foi assassinada pelo ex-parceiro, Elize Matsunaga matou o marido após sofrer, segundo relatos e investigações, diversos abusos.

“Perguntam se a Elize agiu assim. Eu sempre respondo: ela REagiu”, afirmou Sônia. Ela ainda curtiu o comentário de uma internauta dizendo que Eliza talvez estivesse viva se tivesse reagido da mesma forma.
Sônia também revelou acreditar que Bruno nunca contou totalmente o motivo do crime. “Não foi só pensão. Ele mesmo já deixou escapar que tinha algo mais”, disse ela.