O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), voltou a movimentar as redes sociais e o debate público após comemorar, com bastante entusiasmo, a nova lei federal que proíbe o uso de linguagem neutra em instituições públicas. A norma, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na última segunda-feira (17), reacendeu as discussões que já vinham fervilhando há meses, especialmente entre grupos políticos que tratam o tema como uma bandeira ideológica.
Brunini, que não esconde sua postura crítica em relação ao assunto — e que já se envolveu em algumas polêmicas por causa disso — aproveitou o momento para cutucar seus opositores. Em um vídeo publicado nas redes, o prefeito apareceu sorrindo, com aquele ar de “eu avisei”, e não economizou nas indiretas. “Só para frustrar os esquerdistas de plantão, o governo Lula sancionou a lei do Congresso Nacional que veta a linguagem neutra em órgãos públicos”, disparou, com seu jeito característico de provocar. “Se tinha algum esquerdista ainda tendo esperança, com o nome ‘todes’, acabou, irmão.”
A fala, claro, rendeu repercussão imediata. E Brunini continuou: “Agora é uma lei federal que proíbe a linguagem neutra usada em órgãos públicos e, naturalmente, nas nossas escolas, porque fazem parte da estrutura pública. Você que fez o ‘L’ aí na expectativa de pintar as escolas de ‘todes’, não vai dar, não.” O tom debochado virou combustível para novos embates virtuais, com apoiadores vibrando e críticos acusando o prefeito de espalhar desinformação ou de promover um discurso que desmerece pautas identitárias.
Para quem acompanha a trajetória recente do gestor, esse posicionamento não é exatamente novidade. Brunini tem adotado um estilo mais combativo desde o início do mandato, frequentemente se colocando no centro de discussões sobre costumes e educação, algo que, para seus seguidores, reforça sua imagem de político “autêntico”. Para os detratores, porém, ele só busca visibilidade.
Um episódio que voltou a circular nas redes após a sanção da lei aconteceu há alguns meses, quando o prefeito interrompeu uma palestra da professora aposentada e doutora em Saúde Pública, Maria Inês da Silva Barbosa, durante uma cerimônia oficial do município. A educadora, enquanto fazia sua apresentação, utilizou alguns termos neutros — algo comum em debates acadêmicos e rodas de discussão sobre inclusão linguística.
Ao notar isso, Brunini levantou de seu lugar, tomou o microfone e afirmou, em tom firme, que sua gestão não permite o uso de linguagem neutra em eventos formais da prefeitura. A plateia ficou visivelmente constrangida, e a professora, que havia sido convidada justamente para falar sobre políticas de saúde, decidiu abandonar o local sem concluir a apresentação. O caso repercutiu nacionalmente na época, sendo debatido em programas de TV, fóruns educacionais e até entre influenciadores que tratam de temas de diversidade.
Com a nova lei sancionada pelo governo federal, o prefeito parece ter encontrado mais um capítulo para reforçar seu posicionamento. Enquanto uns comemoram a medida como uma forma de “organizar” a comunicação oficial, outros enxergam nela um retrocesso ou uma tentativa de silenciar debates legítimos sobre inclusão.
No fim, é impossível negar que a polêmica se tornou mais um ingrediente no caldo já quente das discussões políticas do país. E, conhecendo o histórico recente de Brunini, dificilmente será a última vez que o nome dele aparece associado a temas desse tipo, especialmente em um ano pré-eleitoral, em que cada palavra — ou pronome — pode virar munição.