Flávio convoca vigília na frente do condomínio de Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu dar um novo passo na mobilização em defesa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesta sexta-feira (21/11), ele publicou um vídeo nas redes sociais convocando uma vigília religiosa para este sábado, chamando apoiadores para um encontro de oração “pela saúde de Bolsonaro e pela liberdade no Brasil”.

No vídeo — gravado de maneira simples, como tem sido comum nos últimos dias em que a família tenta mostrar mais proximidade com a base — Flávio cita provérbios bíblicos e lança um chamado meio espiritual, meio político: “Vem com a gente, vamos lutar.”

Ele continua, com um tom sério: “Nesse primeiro momento, a gente vai buscar o Senhor dos Exércitos. Eu te convido para uma vigília que começa nesse sábado. Vamos pedir a Deus que aplique a sua justiça […] E com a sua força, a força do povo, a gente vai reagir e resgatar o Brasil desse cativeiro que ele se encontra hoje.”

O discurso pegou força nas redes, especialmente entre grupos que já vinham organizando correntes de oração desde o início da semana. Não é a primeira vez que aliados de Bolsonaro misturam política e religiosidade, mas agora o tom parece mais urgente, especialmente depois das novidades jurídicas.

Isso porque, também nesta sexta-feira, a defesa do ex-presidente enviou um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando autorização para que Bolsonaro cumpra a pena de 27 anos e 3 meses, referente à condenação pela trama golpista, em casa, e não em regime fechado.

O documento entregue ao STF reúne 10 relatórios médicos e um laudo atualizado. Segundo os advogados, Bolsonaro enfrenta um quadro médico complexo que impediria uma permanência segura em presídio comum. Eles falam em caráter humanitário e citam decisões anteriores do Supremo que permitem prisão domiciliar quando há doença grave, debilidade comprovada e impossibilidade de tratamento eficaz dentro do sistema prisional.

Nos laudos apresentados, a equipe jurídica afirma que o ex-presidente apresenta:

  • Doenças graves de natureza múltipla — cardiológica, pulmonar, gastrointestinal, neurológica e até oncológica;
  • Sequelas permanentes e irreversíveis decorrentes do trauma abdominal causado pela facada, além das diversas cirurgias que ele fez desde então;
  • Necessidade de tratamento contínuo, com monitorização constante e risco de intercorrências súbitas que podem ser fatais;
  • Total incompatibilidade entre essas condições e o ambiente prisional, que segundo a defesa não possui estrutura suficiente para atendimento clínico e emergencial adequado.

O pedido ainda destaca que Bolsonaro, apesar de aparecer publicamente em alguns eventos — às vezes até sorrindo e conversando com apoiadores — convive com limitações físicas que, de acordo com a defesa, não seriam perceptíveis a olho nu, mas impactariam a rotina em um presídio.

O caso agora está nas mãos de Alexandre de Moraes, que costuma analisar essas solicitações com bastante rigor. Até o momento, não há previsão oficial de quando ele vai decidir. A expectativa, porém, já gera movimentação tanto entre aliados quanto entre opositores.

Enquanto isso, a convocação de Flávio para a vigília religiosa deve funcionar como mais um gesto político, num momento em que a base bolsonarista tenta se reorganizar. A pauta religiosa, aliás, voltou a ganhar espaço nas últimas semanas, especialmente com a aproximação do final do ano e das discussões políticas mais acaloradas — sem falar na repercussão de temas como as eleições municipais e as disputas internas dentro da direita.

A vigília está marcada para este sábado, e Flávio promete transmitir partes do encontro pelas redes sociais, esperando reunir uma multidão de apoiadores. Para ele e para o núcleo político da família, cada gesto agora importa — tanto na narrativa pública quanto no desfecho jurídico de Jair Bolsonaro.



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