O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) esteve, nesta sexta-feira (21), na casa onde o ex-presidente Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, em Brasília. A visita, que já era aguardada pelos aliados mais fiéis, acabou gerando um clima de preocupação, principalmente depois que Nikolas afirmou que teme pela vida do ex-chefe do Executivo. Segundo ele, Bolsonaro não está apenas abatido emocionalmente, mas também enfrenta problemas físicos que se agravaram nos últimos dias.
Ao conversar com a imprensa, ainda na porta do condomínio, o parlamentar mineiro comentou que viu o ex-presidente “com o corpo sofrendo”, como descreveu. Ele lembrou que muitas pessoas parecem ter esquecido a facada de 2018, episódio que marcou a eleição daquele ano e continua afetando a saúde de Bolsonaro. “O corpo dele passa por dificuldades, principalmente por causa da facada. O pessoal esqueceu, coloca como se nem tivesse existido”, afirmou, numa fala carregada de indignação — e um pouco de desabafo também.
Nikolas relatou que Bolsonaro tem enfrentado crises persistentes de soluços, um problema que, segundo ele, tirou praticamente o sono do ex-presidente na noite anterior. O parlamentar contou que, por causa disso, Bolsonaro acabou dormindo no chão, ao lado do filho Carlos Bolsonaro. “Ele está com bastante crise de soluço, inclusive essa noite praticamente não dormiu. Dormiu no chão juntamente com o Carlos, porque tá com muito soluço”, disse, num tom de quem tenta convencer que a situação é mais séria do que alguns imaginam.
Em outro momento da entrevista, Nikolas fez a declaração que mais chamou atenção ao longo do dia: a de que Bolsonaro corre risco real caso seja levado para um presídio comum. “Confesso: se for pra cadeia, eu acho que ele tem dificuldade de permanecer vivo. Alguém está querendo que ele morra aqui dentro”, disparou. De certa forma, ele reforça a narrativa que já vem circulando entre aliados, de que há uma espécie de “caçada política” contra Bolsonaro — algo que ele mesmo e seus filhos repetem com frequência nas redes sociais.
O deputado também aproveitou para criticar, de forma direta, decisões do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Sem citar casos específicos, sugeriu que a prisão domiciliar do ex-presidente tem motivações políticas. “Quem colocou Bolsonaro na prisão domiciliar? Alexandre de Moraes. Falar que não tem interesse político nisso é ignorar a realidade”, disse Nikolas, ecoando um discurso que se tornou central no bolsonarismo em 2024 e 2025, especialmente após operações da PF que atingiram aliados próximos.
Apesar do clima tenso, Nikolas contou que a conversa com Bolsonaro também teve momentos mais leves, com debates sobre rumos políticos, perspectivas para os próximos meses e até alguns comentários sobre o cenário internacional — o que já virou hábito nas conversas do ex-presidente, especialmente quando cita os Estados Unidos e os movimentos conservadores por lá. Nada ficou decidido, segundo ele, mas foi uma visita “pra renovar a força”.
Como gesto simbólico, e também para tentar “adoçar o dia”, como ele mesmo disse, Nikolas levou doces típicos de Minas Gerais ao ex-presidente. Um detalhe aparentemente simples, mas que, segundo o parlamentar, fez Bolsonaro sorrir um pouco.
No fim, a visita deixou claro que o ambiente no condomínio está longe da normalidade. A cada fala, cresce o clima de tensão política e emocional em torno do ex-presidente, que segue cumprindo a prisão domiciliar sob forte vigilância — e sob o olhar atento de aliados que temem pelo futuro dele.