A reprise de Rainha da Sucata, exibida agora na faixa Vale a Pena Ver de Novo da TV Globo, tem despertado nostalgia em muita gente. Mas, entre os telespectadores que acompanham a novela todo santo dia, existe um espectador especialmente emocionado: o ator Gerson Brenner. Ele participou da trama original lá em 1990, ainda no auge da carreira, antes de sua vida mudar drasticamente após ser vítima de um assalto que o deixou com graves sequelas.
Hoje, aos 65 anos, Gerson vive com limitações, mas cercado de cuidado e afeto. Ele divide a rotina com a esposa, a psicóloga Marta Mendonça, que está ao lado dele há impressionantes 25 anos. Conversamos com Marta, que contou um pouco sobre o dia a dia do ator e como tem sido vê-lo se reencontrar com a própria história na televisão. Segundo ela, Gerson fica genuinamente feliz quando se vê na tela, mesmo tantos anos depois.
A alegria da reprise
Na novela, Gerson interpretava Gérson Giovanni, um dos famosos “filhinhos” da icônica Dona Armênia, personagem eternizada por Aracy Balabanian, que nos deixou em 2023. Marta relata que assistir ao folhetim tem sido uma experiência prazerosa para o ator:
“Ele fica muito contente ao assistir a novela”, afirma.
Ela explica ainda um hábito curioso — e carinhoso — que ele mantém desde antes da tragédia. “Ele sempre teve essa mania de mandar beijo quando gostava muito de alguém ou de alguma coisa. E isso continua igual: quando ele vê uma cena que mexe com ele, ele manda um beijo pra TV”, conta, rindo com aquele tom de quem já presenciou esse gesto centenas de vezes.
Um vínculo que virou amor
A história de amor entre Marta e Gerson poderia facilmente virar roteiro de série. Ela começou como psicóloga dele, num momento extremamente delicado. Aos poucos, porém, a convivência transformou o cuidado profissional em carinho, e o carinho virou parceria, cumplicidade, vida a dois.
“Hoje, quem convive com ele entende bem. Ele teve perda da fala, tem dificuldade de se comunicar, mas quem está no dia a dia compreende o que ele quer dizer”, explica Marta. É um tipo de comunicação feita mais de olhares, sinais e afetos do que de palavras. E ela diz isso sem pesar, como quem aceita a vida como ela se constrói.
Carinho apesar das limitações
Mesmo com as inúmeras dificuldades que enfrenta há quase três décadas, Gerson continua sendo, segundo ela, um homem doce. “Ele é uma pessoa muito meiga, muito carinhosa, um amor de pessoa”, descreve. Dá pra sentir que ela fala não por obrigação, mas por convicção.
A ajuda da TV Globo
Marta também faz questão de destacar que a Globo não virou as costas para o ator, como muita gente especula nas redes sociais — especialmente agora, em tempos de debates sobre direitos trabalhistas de artistas, contratos antigos e até discussões sobre abandono de profissionais conhecidos.
“A Globo mantém o plano de saúde dele como vitalício”, afirma. “E graças a Deus, é um convênio que a gente realmente precisa. Temos home care 24 horas, então sempre há alguém ao lado para ajudá-lo.” Em um cenário em que tantas famílias lutam pela manutenção de tratamentos básicos, ter essa estrutura muda tudo.
A noite que mudou tudo
O episódio que interrompeu a carreira de Gerson aconteceu quando ele voltava de São Paulo para o Rio de Janeiro, onde gravava a novela Corpo Dourado, outro sucesso da época. Ele foi baleado na cabeça durante uma tentativa de assalto — um crime brutal que até hoje gera revolta em quem acompanhou a trajetória do ator.
Desde então, além da dificuldade na fala, ele também enfrenta sérios problemas de locomoção. Ainda assim, segue cercado por gente que o ama e que luta diariamente para garantir que cada dia tenha conforto, dignidade e — por que não? — um pouco de alegria, especialmente agora que ele se reencontra com a própria imagem jovem, forte e cheia de sonhos na tela da Globo.